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CTNBio aprova milho BT11 da Syngenta

Publicada em 24-09-2007


 



O colegiado da Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem o milho BT11 resistente a insetos, desenvolvido pela Syngenta, para o uso comercial. Foram 15 votos a favor e três abstenções. A aprovação se deu pela maioria simples de um quórum de 27 membros. É a terceira liberação de organismos geneticamente modificados (OGMs) de milho em quatro meses. Até o ano passado, o Brasil contava com apenas a soja RR da Monsanto.
Para o presidente da CTNBio, Walter Colli, os avanços obtidos até agora mostram o trabalho da comissão. "Os milhos aprovados estavam pendurados desde 1998. Portanto, não acho que as liberações estão apressadas". O que eu acho é que (as pessoas) estavam acostumadas com uma CTNBio que não funcionava", disse Colli, a este jornal.


Ao assumir a comissão no ano passado, Colli disse que teve que solicitar mais pareceres das sementes aos membros pareceristas das comissões, pois os existentes eram insuficientes para dar prosseguimento nas liberações. A presidente do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Lerayer, acredita que o ritmo mais acelerados nas liberações de OGMs demonstra um reconhecimento do governo que hoje é a favor da biotecnolgia, além da mudança de quórum da CTNBio no início do ano.


Entretanto, o milho da Syngenta, que já é produzido e consumido em cerca de 13 países, enfrentou divergências na reunião e "uma pressão, ainda que pacífica"", dos movimentos anti-transgênicos. Foi uma reunião longa de quase cinco horas. Cerca de 10 mulheres, entre grávidas e mães de filha, mostraram os riscos do milho transgênico à amamentação. "Eles podem provocar alergia alimentar e transferir a resistência a anti-tibióticos ao organismo do ser humano", disse o presidente da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA), Gabriel Fernandes.


O diretor de pesquisa e desenvolvimento da Syngenta, Ademir Capelaro, acredita que o milho BT11 da empresa deve estar no mercado, a disposição dos produtores rurais, até o segundo semestre de 2008. "Os próximos passos serão o registro dos híbridos no Ministério da Agricultura e iniciar a multiplicação das sementes", disse Capelaro.


Essa nova variedade precisa passar ainda pelo crivo do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBs), dirigido pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O conselho tem até 60 dias para apreciá-los, após a publicação no Diário Oficial da União pela CTNBio.


Fonte: Gazeta Mercantil