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Sapezal dá a largada

Publicada em 21-09-2007


 


Pelo segundo ano consecutivo, Sapezal saiu na frente e quebrou mais uma vez a tradição de “pole position” de Lucas do Rio Verde. As informações dão conta de que os primeiros 500 hectares da nova safra foram semeados na última terça-feira, na fazenda Tucunaré, pertencente ao Grupo André Maggi da família do governador Blairo Maggi. O município, a cerca de 480 quilômetros a noroeste de Cuiabá, deverá expandir em cerca de 8% a área agricultável. Na safra passada foram cobertos 350 mil hectares com a oleaginosa.


O fator clima tem sido decisivo para saber quem dá a largada da safra nacional de soja. Que a “pole position” é de Mato Grosso, é certo, porém o bom volume de chuvas tem feito os sojicultores de Sapezal líderes no plantio do grão, mas são seguidos de perto por grandes produtores de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, que com as primeiras precipitações também colocam as plantadeiras para funcionar nos últimos dias.


O representante técnico da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) para a região oeste, e agrônomo, Emerson Fecker da Costa, Sapezal tem contabilizado mais precipitações nesta época do ano, mas ele confirma que elas não têm sido registradas em todo município. Em Campo Novo do Parecis (396 quilômetros ao noroeste de Cuiabá), base do agrônomo, na semana passada a chuva atingiu 60 milímetros (mm).


“Como aqui as propriedades não são do tipo ‘mega’, os produtores aguardam apenas mais uma chuva para iniciar o plantio, algo que deve acontecer durante o final de semana”. De acordo com técnicos, o mínimo para o início do cultivo da soja são 30 mm, o que foi registrado em Sapezal. Já o ideal seriam 50 mm. Para efeito comparativo, a chuva da última terça-feira em Cuiabá registrou cerca de 5 mm.


Como informa o analista de mercado da Agência Rural Commodities Agrícolas, AgRural, Daniel Sebben, mesmo com chuvas esparsas e isoladas neste momento em todo o Estado os grandes produtores e grupos têm condições de dar o start, já que, em grandes áreas, dez dias de atraso no plantio vão se transformar em perdas de produtividade e demora na colheita. “As precipitações estão longe do ideal, porém para os megaprodutores, como é o caso do Grupo André Maggi, só resta plantar e plantar, pois o risco de replantio, por falta de umidade no solo, não supera os riscos do mercado e também de quebra na produtividade”.


As regiões médio norte e noroeste do Estado têm o privilégio de extrair do solo, todo ano, duas safras. Por isso, os produtores lançam mão de variedades de soja precoce, de ciclo produtivo menor, que possibilita a safrinha. “A corrida pelo início da safra de soja se justifica, pois ainda em janeiro e fevereiro sai a soja e o produtor já entra plantando milho ou algodão, e por isso segurar o cultivo agora pode trazer conseqüências à produtividade, principalmente do milho”. O grão necessita de muita chuva durante o período de desenvolvimento para ter grãos bem formados. “Por isso, o período ideal de plantio deste grão é até 25 de fevereiro. Quem plantar, por exemplo, em março, já sabe que terá problemas”.


De acordo com o técnico da Aprosoja e a AgRural, ainda não há como estimar o percentual plantado no Estado. “Os trabalhos seguem rapidamente, porém em razão da escassez das chuvas ainda não é possível mensurar isso”. Sebben informa que na primeira semana de outubro será possível ter uma estimativa. A AgRural estima que a safra 07/08 deverá crescer 8% e atingir 5,7 milhões de hectares, produtividade média de 50 sacas e totalizar produção de 17 milhões de toneladas no Estado.


Fonte: Diário de Cuiabá