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Produtos agrícolas devem seguir firmes no atacado

Publicada em 12-09-2007



 

Em alta acentuada nos últimos dois meses, os preços agrícolas deverão permanecer firmes no atacado brasileiro pelo menos até o fim de outubro, quando termina a "entressafra" do boi nas principais regiões de pecuária e deverão ser mais nítidos os sinais que já apontam novo recorde na produção nacional de grãos no ciclo 2007/08.

A previsão é do economista Fabio Silveira, da RC Consultores, que lembra, contudo, que isso não significará refresco imediato sobre a atual pressão dos alimentos nos principais índices inflacionários do país. "Os efeitos desses fatores baixistas no IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, pesquisado pelo IBGE e referência para as metas do governo], por exemplo, só deverão começar a ser percebidos no fim deste ano ou no início de 2008".

Neste início de setembro, o índice da RC para os preços agropecuários no atacado paulista, baseado em uma cesta de 17 produtos, já está 3,9% acima da média apurada no mês passado. Entre 31 de agosto e o último dia 6, a variação positiva em relação ao intervalo imediatamente anterior foi de 1,9%, puxada pelas altas do milho (7,7%), do frango abatido (6,4%) e do trigo (5,6%). Em relação a setembro de 2006, o indicador da consultoria mostra salto de 26,1%.

"Se nada de extraordinário acontecer, o IPCA deverá ficar em torno de 0,45%, eventualmente 0,5%, em setembro e em outubro", afirmou Silveira. O índice da RC não apresenta variações negativas desde a última semana de junho. Dos produtos pesquisados pela empresa, soja e leite não têm quedas desde então, e itens como café, algodão, boi gordo, frango abatido, suínos, arroz, feijão e milho mostram-se também bastante sustentados.

"A temporada de preços altos na agricultura brasileira", como gosta de definir Silveira, foi deflagrada pela alta das commodities no mercado internacional, passou pelo fator entressafra do boi, engordou com a entressafra doméstica dos grãos e ganhou impulso com as turbulências financeiras internacionais, que fez o dólar subir de patamar em relação ao real. "Foi essa conjunção de fatores que determinou a trajetória de alta, e ficaremos com preços pelo menos estáveis em elevado patamar por mais dois meses", reiterou ele.

Fonte: Valor Econômico