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Milho mato-grossense pode virar combustível

Publicada em 28-08-2007


Estado possui grande possibilidade de virar produtor nacional

A possibilidade de o Brasil vir a produzir etanol a partir do milho parece não ser tão remota quanto se imaginava até agora. Falando na segunda edição da Bienal dos Negócios da Agricultura, evento promovido pela FAMATO – Federação da Agricultura de Mato Grosso e realizado em Cuiabá entre os dias 22 e 24 de agosto, o professor João Gomes Martines Filho, da ESALQ/USP, focou sua participação no evento exatamente no etanol de milho como uma opção para Mato Grosso. E insistiu na mudança de paradigma, observando que a despeito da grande discussão em torno do fato de que a agricultura não vai mais produzir alimentos, o mercado deve se auto-regular. Citando que a instalação de usinas para a produção de energia gera empregos e receita para o campo, Martines também frisou que a agricultura está mudando de patamar: sai da produção de alimentos, apenas, e entra também na (produção) de energia.

O relato sobre a participação do Professor da ESALQ/USP na Bienal é feito por Vanda Araújo, da equipe de Safras & Mercados. Conforme a jornalista, Martines enfocou a possibilidade da utilização do milho na produção de etanol em Mato Grosso, observando que o estado pode entrar no processo, primeiramente, com a soja e depois com o milho safrinha: “No momento estamos estudando se existe alguma fumaça, alguma possibilidade disso vir a ocorrer”.

O Professor concordou que, no caso de São Paulo, a utilização de milho para produção de etanol é realmente remota. Mas disse que no caso de Mato Grosso parece ser uma grande alternativa, acrescentando que o estado poderá instalar uma usina somente para a produção de etanol ou, mesmo, utilizar a entressafra que existe na cana-de-açúcar, de novembro a maio, para entrar com o milho nesse período. Destacou que a utilização do milho em uma usina de cana exige adaptações técnicas, alguns ajustes, mas que isso está sendo estudado: “Esse não chega a ser um problema. O grande problema era saber se o milho poderia servir de alguma forma como matéria prima para a produção de energia”.

No caso americano – lembrou o Professor - essa possibilidade é total, com o país contabilizando hoje cerca de 200 usinas produtoras de etanol de milho e mais 300 em instalação. Outro aspecto destacado pelo palestrante é o de que as usinas norte-americanas estão localizadas junto às áreas de produção, no meio-oeste americano - o que pode ser feito também em Mato Grosso, trazendo, por exemplo, indústrias de frango para perto.

A informação final é de que o Mato Grosso tem 11 plantas de etanol à base de cana-de-açúcar e responde por cerca de 3% da produção nacional.

Fonte: Retirado do portal Agronotícias