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Do otimismo à incerteza

Publicada em 16-08-2007


Sojicultores ainda não têm idéia de quando e quanto plantar

Faltam exatamente 30 dias para o início do plantio da nova safra de soja no Estado e até agora sojicultores não sabem quanto vão plantar e quando poderão reiniciar os trabalhos no campo. Sem os recursos do custeio liberados, com o peso do endividamento de ciclos anteriores e diante dos elevados preços dos insumos, os produtores traçam um cenário de incerteza, ainda às vésperas do plantio.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja/MT), a expectativa inicial de aumento de área pode cair por terra caso os produtores não consigam aprovar a nova proposta de renegociação das dívidas de custeio (R$ 1,8 bilhão), que prevê a prorrogação do pagamento por um ano, das parcelas vencidas e vincendas das safras 03/04, 04/05 e 05/06. A decisão deve sair esta semana e, hoje, o Banco do Brasil deve anunciar as novas regras de custeio, bem como o volume de recursos disponíveis para esta safra.

Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Ottoni Prado, no ano passado foram liberados R$ 5 bilhões para custeio. Para a safa 07/08 a necessidade é de R$ 6 bilhões. Mato Grosso é o primeiro estado produtor do Brasil a cultivar a nova safra de soja, que tem início na segunda quinzena de setembro. “Estamos a exatamente um mês do início do plantio, que estará liberado a partir do dia 16 do próximo mês, quando termina a entressafra, período em que o cultivo fica proibido de norte a sul do Estado, por força do vazio sanitário, e até agora estamos perdidos e assistindo a queda do dólar frente o real”, disse um produtor que pediu anonimato.

Ottoni diz que o produtor mais uma vez conseguiu fazer o “dever de casa”, mas não está conseguindo arcar com os elevados custos de produção. “Os custos com combustíveis este ano aumentaram, os preços dos insumos também e a renda continua achatada como nas últimas duas safras. Não há superávit para pagarmos as parcelas do investimento e o máximo que poderemos fazer este ano é pagar as dívidas de custeio relativas à safra 2006/07”, avisa.

“Tivemos a impressão de que o cenário iria melhorar, porém mais uma vez não tivemos sorte”, completa o presidente licenciado da Famato, o deputado federal Homero Pereira.

Levantamento da entidade aponta um estoque de R$ 3,5 bilhões a vencer somente este ano, tendo como origem os financiamentos para compra de máquinas, tratores e aparelhamento tecnológico do setor.

ÁREA - Por conta do quadro de endividamento e do atraso na liberação dos recursos para custeio, os produtores acenam com a possibilidade de redução de área plantada na próxima safra. “Ainda não fizemos a projeção dos números, mas poderá haver recuo porque os produtores não terão renda para investir na expansão da área”, diz o vice-presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira. Segundo ele, as compras de insumos e fertilizantes estão praticamente estagnadas. “Tivemos algumas negociações, mas foram logo estancadas por causa dos preços dos insumos e da situação de indefinição sobre o endividamento”.

A grande preocupação dos produtores é em relação aos recursos para manutenção de máquinas e pagamento de mão-de-obra. “O dinheiro que o produtor usava para isso vinha do custeio. Como até agora as liberações não começaram, os agricultores não sabem o que fazer”, diz Silveira.

Outro problema sério, na avaliação da Aprosoja, diz respeito ao menor uso de tecnologia, por causa dos preços do adubo. “Esperamos um ano complicado para a soja, pois há muita coisa para se fazer para viabilizar o plantio da safra, mas está tudo parado”.

Silveira acredita que este ano a área do plantio direto em Mato Grosso poderá sofrer redução devido aos preços do glifosato, utilizado no período de pré-plantio.

Os primeiros números sobre o tamanho da soja mato-grossense foram divulgados no mês passado pela Agência Rural Commodities Agrícolas (AgRural) e estimam um avanço de 8% em relação à área da safra passada, ficando 1% acima da previsão de crescimento da cultura no país. Confirmada a previsão, o Estado deverá contabilizar 17,16 milhões de toneladas (t) e passará dos atuais 5,28 milhões de hectares (ha) para 5,72 milhões/ha.

Fonte: Retirado do Portal Folha MT