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Plantação de transgênicos avança no Brasil e cresce 19% em apenas um ano

Publicada em 23-02-2011


O Brasil é o país onde o cultivo de lavouras transgênicas mais avança no mundo. Em 2010 foram plantados 25,4 milhões de hectares de lavouras geneticamente modificadas (soja, milho e algodão) - aumento de 19%, ou 4 milhões de hectares, em relação a 2009. A área total equivale ao Estado do Piauí.


O resultado levou o Brasil a manter a posição conquistada em 2009, quando ultrapassou a Argentina e passou a ocupar o segundo posto no ranking mundial dos 29 países que adotam as culturas transgênicas, atrás apenas dos Estados Unidos, com 66,8 milhões de hectares. Os dados fazem parte do relatório anual do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês), divulgado ontem.


"O Brasil caminha de forma rápida para ser o maior produtor de transgênicos no mundo", afirmou Clive James, presidente do Isaaa. Segundo ele, os países em desenvolvimento despontam como os maiores produtores de transgênicos: 19 países adotam esse tipo de lavoura e concentram quase a metade (48%) das plantações geneticamente modificadas.


Risco. Segundo o Isaaa, a expansão da área cultivada de transgênicos é fruto de um maior interesse dos agricultores em adotar a tecnologia que, segundo as empresas, permite aumentar a produtividade e reduzir os custos com inseticidas e herbicidas.


Mas o avanço também é visto com desconfiança por ambientalistas e entidades contrários à adoção da tecnologia. "O avanço do cultivo de transgênicos é preocupante porque o Brasil não possui meios eficazes para controlar os riscos que esse tipo de lavoura traz", diz Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace.


Entre os riscos a que os agricultores estão sujeitos, aponta Leitão, está o de desabastecimento de sementes de grãos não transgênicos. "O agricultor está refém de três ou quatro grandes multinacionais, que controlam a quantidade das sementes transgênicas e não transgênicas que chegam ao mercado", afirma Leitão. "Como os transgênicos são mais rentáveis, fica mais difícil para o produtor encontrar sementes convencionais", diz.


Outro problema é o surgimento de pragas mais resistentes, que surgem apenas em lavouras geneticamente modificadas. O problema tem sido recorrente nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil, segundo Ricardo Sousa, diretor executivo da Abrange, entidade que reúne produtores de grãos não transgênicos. "Cerca de 9 milhões de hectares na Região Sul do País estão infectados com a buva, uma erva daninha resistente a herbicidas que persiste nas lavouras transgênicas", relata Sousa.




PERGUNTAS & RESPOSTAS


Eles já estão no mercado


1. O que são alimentos transgênicos?


Os transgênicos - ou organismos geneticamente modificados (OGM) - são produzidos em laboratório por meio da introdução de genes de outras espécies, com o objetivo de atribuir a eles novas características. No caso dos grãos, por exemplo, pode ser gerada uma resistência a determinadas pragas e a condições climáticas adversas, como secas prolongadas.


 


2. Desde quando alimentos transgênicos são cultivados no Brasil?


No Brasil, o plantio de transgênicos é feito desde 2004 e está sujeito a aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que assessora o governo federal nas questões de biotecnologia.


 


3. Quais são os argumentos contrários a esse tipo de tecnologia?


Entre eles estão a falta de estudos que comprovem que o consumo desses alimentos não traz riscos à saúde humana e ao meio ambiente e o risco de contaminação de lavouras convencionais pelos genes modificados.


 


4. Já existem transgênicos no mercado?


Atualmente, existem quatro vertentes de pesquisas referentes ao assunto e duas já chegaram aos supermercados. São as plantas com tolerância aos herbicidas e resistentes aos ataques dos insetos - como soja, milho e algodão - e as com qualidades nutricionais alteradas - como a soja acrescida do aminoácido metionina, nutriente essencial para a saúde.


O Estado de S. Paulo


Andrea Vialli