Notícias


Governo quer reforçar cooperativas

Publicada em 20-02-2011


Preocupado com a cada vez mais forte concentração em todas as pontas do mercado de alimentos, o governo está desenvolvendo estratégias para tentar não perder o controle da situação e garantir que seus instrumentos de intervenção permaneçam eficientes. Quer investir no associativismo e cooperativismo para fazer frente às grandes redes e tradings, que acabam por engolir outros produtores de todos os portes.


 


— A individualização da produção fortalece as tradings — diz o diretor de Política Agrícola e Informações da Companha Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto.


 


Para garantir o abastecimento em todo o país em caso de emergência e retirar as pressões sofre a inflação, a Conab está preparando uma proposta de criação de armazéns nas áreas de consumo e não apenas de produção de alimentos. Parte do plano já teria sido absorvida pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Assim, pode-se evitar os altos preços e os “custos altíssimos de transporte, um problema seríssimo nosso”, diz ele. Um armazém desta natureza recém-construído em Uberlândia custou R$40 milhões (silos com capacidade de até 100 mil toneladas).


 


Para CNA, especulação e subsídios pressionam preços


 



Os próprios estoques, hoje estabelecidos em um mês no geral e em dois meses para o trigo, podem subir gradativamente até cerca de dois meses para todos os itens, para enfrentar a concentração das empresas, que operam sempre com grandes quantidades.


 


O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), vinculado ao Palácio do Planalto, convocou reunião de emergência, a primeira do ano, para traçar um diagnóstico completo da alta dos preços dos alimentos no Brasil.


 


— Não está claro quem ganha e quem perde no Brasil. Somos grandes exportadores, mas isso não quer dizer que todos ganhem — disse o presidente do Consea, Renato Maluf.


 


A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) acusa a histórica e pesada estrutura de subsídios agrícolas concedidos pelos países ricos, sobretudo, União Europeia e Estados Unidos a seus agricultores, que somam cerca de US$365 bilhões por ano.


 


A especulação também estaria por trás das oscilações dos preços. A Bolsa de Chicago movimenta em um ano o equivalente a 46 vezes a produção mundial de trigo e 24 vezes a de milho. Segundo a presidente da CNA, Kátia Abreu, é preciso abrir o mercado de futuros para pequenos e médios produtores.


 


— Hoje, só quem ganha são as tradings, que têm braços financeiros — disse Kátia.


O Globo


Vivian Oswald