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No G-20, Brasil quer evitar controle de estoques

Publicada em 15-02-2011


Temeroso de que a proposta da presidência francesa para conter a volatilidade dos preços das matérias-primas venha a atingir em cheio a menina dos olhos da balança comercial, o Brasil desembarca esta semana em Paris armado para barrar qualquer medida que possa limitar as vendas do país para o resto do mundo. Em 2010, as commodities deixaram para trás os produtos manufaturados e, ajudadas pela disparada dos preços no mercado internacional, foram responsáveis por nada menos do que 70% do superávit comercial brasileiro do período. O governo Dilma teme propostas como o controle de estoques.


Para França, ONU deveria ser mais ativa nos estoques


O assunto, por sugestão da França, ganhará um grupo de estudo especial na primeira reunião de ministros de Economia do G-20, nos dias 18 e 19 de fevereiro. A ideia é que os participantes produzam um diagnóstico mais claro do problema para apresentar saídas que evitem a forte oscilação dos preços das commodities, influenciados também pela especulação. Uma segunda rodada de discussões deve acontecer na reunião do G-20 específica sobre agricultura, daqui a alguns meses.


No Brasil, o que mais preocupa governo e setor produtivo é a possibilidade de os franceses colocarem na pauta qualquer medida que envolva controle de estoques. A França já deu a entender mais de uma vez que pretende pedir aos membros do G-20 que aumentem seus estoques e cobrar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) uma postura mais ativa no que se refere ao gerenciamento de estoques.


Os franceses também querem maior transparência e quantidade de dados sobre o mercado para garantir previsibilidade aos países, ponto que tem o aval brasileiro.


Brasil quer medidas contra desequilíbrios cambiais


Em outra frente, o Brasil leva para a capital francesa propostas para lidar com os desequilíbrios dos fluxos financeiros internacionais. O país divide com a Alemanha a liderança de um subgrupo exclusivo para tratar do assunto e deve mostrar os instrumentos usados até agora para conter os efeitos negativos da entrada maciça de capitais no câmbio e o leque de opções de que ainda dispõe.


Defensor ferrenho do fim da desvalorização artificial do câmbio em países como Estados Unidos e China, Mantega é reticente ao revelar o que pretende no encontro desta semana. Na sexta-feira, o ministro desconversou ao comentar o tema: “é melhor não antecipar (as propostas) para que colegas não se preparem para as nossas posições”.


A entrada de recursos estrangeiros nos países em desenvolvimento bateu os US$510 bilhões em 2010, 45% a mais do que os US$353 bilhões registrados no ano anterior, de acordo com dados do Banco Mundial. O valor ainda é quase a metade dos fluxos de 2007, de US$1,1 trilhão. Mas a preocupação dos governos é que o fluxo se concentra em alguns países — como Brasil, China, Índia, Indonésia, Malásia, México, África do Sul, Tailândia e Turquia — e acaba pressionando as moedas locais, que se valorizam em relação ao dólar e prejudicam as exportações.


O Globo   Vivian Oswald