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Setor de biodiesel tenta aumentar diversidade de matérias-primas

Publicada em 28-10-2010


Nos últimos três anos aumentou, o uso de soja para a produção de biodiesel no Brasil. Atualmente, mais de 80% do óleo é extraído desta oleaginosa. Porém, algumas usinas estão investindo em pesquisa e buscando outras alternativas. Enquanto elas não são viáveis, o setor acredita que já tem capacidade para abastecer o mercado se for aprovado o chamado B10.

No Brasil, são produzidos 2,4 bilhões de litros de biodiesel por ano. O número, segundo os produtores do óleo, já é suficiente para abastecer o mercado, caso ocorra o aumento do percentual de adição de biodiesel ao diesel.

– A antecipação da meta é em decorrência da estruturação do programa. Nós temos hoje disponibilidade industrial oferecida ao programa, temos matéria prima, por que não aproveitar todos os benefícios? Não esqueça que o país é um grande importador de diesel. Se tivéssemos o B10 estaríamos deixando de importar diesel mandando dólar para fora e produzindo internamente todos os benefícios de agregação de renda e geração de emprego – defende o presidente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Juan Diego Ferres.

Outro desafio do setor é diminuir o uso da soja na produção do óleo. Atualmente, 83% da produção brasileira tem origem no grão.

Na indústria dirigida por Haroldo Barros, 70% do biodiesel tem origem na soja. Outras 10 matérias-primas como gordura animal e outras oleaginosas já foram testadas. Todas renderam bons resultados. No entanto, o volume disponível era insuficiente para produção em grande escala.

O diretor da fábrica continua testando diferentes materiais, mas não se preocupa com a dependência da soja. Para ele o mercado está pronto para atender novos desafios.

– Eu acho sim que para que esse mercado fique mais saudável em termos de oferta e procura teria que ter hoje pelo menos uma projeção de um B10, B20, mas escalonando há anos. Para o B10 não precisaria de nenhum outro investimento – diz Barros.

Em um congresso realizado em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, o setor discutiu alternativas para avançar ainda mais com a produção de biodiesel no país.

– Com a soja e outras culturas que estão vindo, não vai haver falta de matéria-prima para produção de biodiesel e também não vai afetar o valor da cesta de alimentos nossos – diz o presidente da Biodiesel BR, Nivaldo Vedana.

Na tentativa de encontrar alternativas, outras matérias primas estão sendo testadas. No sul do país houve aumento de 30% na área dedicada à canola. Até 2020, a meta desta empresa é chegar a 200 mil hectares.

– Para a região Sul nós acreditamos que a canola é a grande cultura a ser fomentada, como é a palma na região Norte – explica o diretor superintende da BSBios, Carlos Battistella.

Fonte: Canal Rural
Autor: Kellen Severo