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Caixa expande negócios e decide financiar agricultura

Publicada em 20-10-2010


Ela administra um negócio de R$ 794,7 bilhões. Presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho se prepara para encerrar 2010 batendo recordes no empréstimo imobiliário e preparando um voo ousado para 2011. Líder no financiamento da casa própria, a Caixa irá investir na safra agrícola. Funcionária de carreira, aos 49 anos Maria Fernanda é a primeira mulher a presidir uma das maiores instituições financeiras do país. Quando assumiu, foi alçada do segundo escalão do banco, após o escândalo da quebra de sigilo do caseiro Francenildo. Na época, ela garantiu que os bons lucros iam resgatar a credibilidade da instituição no mercado. Maria Fernanda recebeu Zero Hora para uma conversa de uma hora na sede do banco em Brasília. Elegante, a pernambucana cita de memória a maioria dos indicadores financeiros da instituição, adiantou que serão inauguradas 19 novas agências no Estado ainda este ano e não deixa pergunta sem resposta.

Zero Hora – A Caixa aumentou em cerca de 50% a oferta de credito habitacional em relação a 2009. Esse crescimento é sustentável?

Maria Fernanda Coelho – Temos um déficit habitacional de 6 milhões de moradias, em especial para famílias com renda de até cinco salários mínimos. É esse público que o Minha Casa, Minha Vida vem suprir. A meta, 1 milhão de novas moradias, responde a 14% da necessidade. O mercado continua crescendo de forma sustentável.

ZH – A demanda e a queda dos juros são os principais indutores desse crescimento?

Maria Fernanda – Você tem um maior número de pessoas com trabalho e renda, demanda caracterizada e oferta adequada. E há o subsídio, que permite famílias com um ou dois salários mínimos morarem em imóveis com condições mínimas. Para outras faixas de renda, temos a menor taxa de juros e prazo de até 30 anos.

ZH – Por que a construção civil reclama da dificuldade de acesso ao público de zero a três salários?

Maria Fernanda – Há uma parceria com Estados e municípios nessa faixa de renda. Eles selecionam as famílias e identificam os terrenos. Também precisa da aprovação da Câmara de Vereadores.

ZH – A Caixa está conseguindo cumprir a meta do Minha Casa, Minha Vida?

Maria Fernanda – No Rio Grande do Sul, já cumprimos 110% da meta. Na faixa de zero a três salários mínimos, estamos melhor. Ultrapassamos em 129%, desde abril de 2009.

ZH – Mas são imóveis entregues ou apenas contratações?

Maria Fernanda – Já entregamos 25 mil unidades. Até o final do ano, serão mais 6 mil. Proporcionalmente, o Rio Grande do Sul tem o melhor desempenho do país.

ZH – Será possível chegar a 1 milhão de moradias este ano no país?

Maria Fernanda – Não há data para fechar essa meta, mas acreditamos que vamos conseguir em 2010.

ZH – Não há risco de uma bolha imobiliária?

Maria Fernanda – Temos um sistema financeiro sólido e análise de risco consolidada. A Caixa tem experiência, e o crédito é de acordo com a capacidade de pagamento. Nos EUA, onde houve a bolha, as famílias se endividaram. Em alguns casos, eram créditos refinanciados até três vezes. No Brasil, nosso índice de inadimplência, de 2,5%, é o menor na história da Caixa.

ZH – Mas esses imóveis não começaram a ser pagos. O Minha Casa, Minha Vida não elevará esse índice?

Maria Fernanda – O contratante vai pagar. Para quem tem renda de até um salário mínimo, a prestação é de R$ 50. Na faixa até dois salários, R$ 100. Nenhuma dessas famílias pagava menos. Um quarto em uma favela custa de R$ 200 a R$ 300 ao mês.

ZH – Como crescer em um mercado consolidado? A Caixa estuda comprar algum banco?

Maria Fernanda – O potencial de crescimento passa pela consolidação dos mercados. Temos uma classe C em ascensão, à qual precisamos oferecer produtos e serviços adequados. Temos buscado alternativas e o Minha Casa, Minha Vida é o que chega mais próximo.

ZH – A Caixa pretende se estender a outro setor que não seja tradicional, como o agronegócio?

Maria Fernanda – O mais avançado é a cadeia de petróleo e gás. A nossa outra perspectiva é entrar no agronegócio. Estamos com um projeto que considera o perfil da Caixa: o trabalhador rural da pequena propriedade.

ZH – Começa quando?

Maria Fernanda – É para 2011. Queremos toda a cadeia do Pronaf B. Se já trabalhamos com habitação rural, queremos dar condições para esse agricultor se manter no campo.

ZH – A Caixa vai fazer projetos pilotos?

Maria Fernanda – Sim. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o oeste do Paraná vão entrar nesse projeto.

Fonte: Zero Hora
Autor: Carolina Bahia