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Fôlego Pecuarista

Publicada em 24-07-2007


Arroba do boi gordo atinge melhor preço em 4 anos

A arroba do boi gordo atingiu na segunda-feira, dia 23 de julho, o melhor preço dos últimos quatro anos em Mato Grosso. Depois de 2003, quando a arroba chegou a R$ 59, a cotação abriu a semana ao patamar de R$ 58 nas regiões habilitadas para exportação à União Européia. A reação dos preços, contudo, não chegou a causar euforia nos pecuaristas, que ainda reclamam perdas e denunciam a descapitalização do setor.

 A Famato afirma que os pecuaristas estão começando a recuperar parte das perdas, mas ainda acumulam margens negativas de 41,55% relativa aos últimos quatro anos.

Por conta da redução do estoque de boi gordo nas pastagens, em função da estiagem, no período de setembro a novembro deste ano deverão ser abatidos entre 500 mil a 600 mil animais oriundos do confinamento no Estado, que se confirmados na expectativa máxima, vão superar em 50%, os 400 mil abates de animais terminados em confinamentos no ano passado.

O presidente da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR/MT), Ricardo Borges de Castro, diz que apesar da melhora da cotação, os preços continuam defasados e ainda “estão longe do ideal”.

O ruralista lembra que, embora não existam estudos mostrando os custos exatos de produção na pecuária os preços da arroba do boi gordo em Mato Grosso estão defasados em pelo menos 30%. Castro Cunha explica que a contabilização das despesas da porteira para dentro é complicada porque os custos oscilam de propriedade para propriedade, conforme sua localização e nível de tecnologia aplicada.

“Se levarmos em conta os preços atuais da arroba e os custos médios para se engordar um boi, chegaremos à constatação de que o preço, para garantir alguma rentabilidade ao produtor, deveria ser de no mínimo R$ 70”, diz o presidente da APR, que reclama da descapitalização da pecuária e da falta de uma política para o setor. Levando em consideração o preço ideal (R$ 70) para o real (R$ 58), apesar da alta, a defasagem é de 20%.

Segundo ele, os custos com manejo sanitário (medicamentos, vacinas), manejo nutricional (pastagens, suplementos alimentares), insumos (arames, adubos, sementes, etc.) e mão-de-obra estão bem acima de R$ 50 por arroba. “Neste valor não consideramos os custos financeiro da propriedade, que agregam a terra, os investimentos em gado e instalações”, lembra Ricardo.

Castro Cunha diz que os gastos diretos de uma propriedade são bastante elevados. “Só pastagens e reposição respondem por 40% dos custos. Por isso, o pecuarista não está dando assistência adequada à sua propriedade e, com isso, ele a cada ano perde renda e o seu patrimônio sofre desvalorização ou acaba sendo dilapidado. Felizmente, os preços começam a se recuperar e hoje já começamos a ver luz no fim do túnel”.

O presidente da APR diz que se o governo federal não implementar um plano de incentivo à pecuária, o setor continuará enfrentando dificuldades. Entre as medidas que ele aponta como necessárias neste plano estão o fim da burocracia do Banco do Brasil para aprovação e liberação do crédito, financiamento para aquisição de insumos e combate à cigarrinha, a ampliação do volume de crédito para recuperação de pastagens com juros mais baixos e um programa de retenção de matrizes para evitar o abate de fêmeas.

Fonte: Folha MT