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Balança preocupante

Publicada em 23-07-2007


Divulgação de safra recorde preocupa Federação da Agricultura de Goiás

O resultado do recorde na produção de soja em 2006, divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), preocupa o setor produtivo goiano.

Segundo o presidente da Faeg, Macel Caixeta, as informações contribuem para achatar os preços das commodities agrícolas, porque passam a impressão de uma supersafra. Dados importantes como os custos da produção e a baixa receita ou até prejuízos dos produtores são ignorados.

De acordo com informações do Departamento Econômico da Faeg o crescimento dos índices de produtividade é constante nos cinturões verdes do País. A tecnologia colocada a serviço de culturas da soja, do algodão, milho e outros produtos, tem resultado em recordes de safras em fronteiras agrícolas como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, sul do Pará, Maranhão, Piauí e oeste da Bahia. Por outro lado, o retorno em dividendos aplicados em tecnologia para elevar a produção não chega para os produtores na mesma proporção em que a produção é elevada. Ou seja, o retorno dos recursos investidos tem sido cada vez menor. Por esse motivo, há no mínimo duas safras, uma grande quantidade de produtores abriu mão do uso da tecnologia para poder continuar a produzir.

Vários fatores contribuem para aumentar os custos de produção, entre eles a crescente elevação nos preços de insumos, máquinas e implementos agrícolas. Na outra ponta, os preços pagos aos produtores praticamente se mantêm. O dólar, que serve sempre de parâmetro na elaboração de preços rurais, também prejudica o produtor, e de duas formas: na primeira, as commodities agrícolas exportadas sofrem redução no preço em decorrência da valorização do real em relação à moeda americana. Na segunda maneira, os insumos básicos comercializados pelas empresas multinacionais, têm seus valores elevados ao extremo no mercado brasileiro.

O Estado de Goiás é um tradicional produtor de soja e está em quarto lugar no ranking nacional dos maiores produtores de grãos. Em 2002/03, a produção somou 6,319 milhões de toneladas, colhidas numa área de 2,176 milhões de hectares. A cotação alcançou R$ 34,20/saca. Em 2005/06, a produção chegou a 6,364 milhões de toneladas, ocupando uma área de 2,485 milhões de hectares. A cotação ficou restrita a R$ 21,41 saca e houve queda acentuada nos preços pagos aos agricultores em comparação aos anos agrícolas anteriores, informa a Faeg.

O relatório do IBGE mostra que a safra brasileira da oleaginosa quebrou o recorde no ano passado, com mais de 52,464 milhões de toneladas colhidas, 2,5% a mais do que em 2005 e 1% a mais do que em 2003, a maior até então (51,919 milhões de toneladas), segundo o IBGE. De acordo com o Instituto, a área colhida foi 3,9% menor e houve queda de 15,1% no valor da produção no ano passado.

Pela Pesquisa Agrícola Municipal de Cereais, Leguminosas e Oleaginosas (PAM-CLO), do IBGE, a produção de grãos em 2006 foi de 117,3 milhões de toneladas, 4,1% superior à do ano anterior. Paraná (19,8%), Mato Grosso (18,9%), e Rio Grande do Sul (17%) foram os principais responsáveis pelo crescimento, puxado pela soja e pelo milho, que representaram 44,3% e 36,1% da safra, respectivamente.

Fonte: Infoagro