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Soja antiferrugem estreia em 09/10 com 150 mil hectares em MT

Publicada em 28-05-2009


Após três anos de testes em campo com a soja antiferrugem, que apontaram ganhos de produtividade dessa variedade de até 3,5 sacas de 60 kg por hectare, o Mato Grosso já conta com um volume de sementes suficiente para o plantio de 150 mil hectares, no primeiro ano de semeadura para fins comerciais.

A soja inox, desenvolvida pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), tem um gene mais resistente à doença, introduzido na soja após ampla pesquisa em bancos genéticos globais da oleaginosa.

De acordo com o superintendente da Fundação MT, Dario Hiromoto, o novo produto é importante no momento em que alguns princípios ativos para o controle da doença não estão sendo mais eficientes para combater a ferrugem, que pode causar grandes perdas na produtividade.

Desde que apareceu no país há cerca de 10 anos, a ferrugem da soja já causou prejuízos de mais 10 bilhões de dólares, segundo a Fundação MT.

"Estamos observando que ao longo dos últimos anos, por causa de aplicações sucessivas de fungicidas na soja, alguns princípios ativos químicos importantes perderam eficácia", declarou Hiromoto, destacando que o futriafol, por exemplo, não mais funciona para combater a doença.

Mutante, o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem, acaba ficando mais resistente por seleção natural a determinados princípios ativos.

"E este ano começa a haver suspeita de a base do controle já começar a dar sinais de que pode estar perdendo a eficácia", salientou.

Segundo Hiromoto, que participou dos estudos para o desenvolvimento da soja inox, o material é adaptado também para o plantio em Goiás e Bahia.

Na safra seguinte à 2009/10, a oferta de sementes da variedade aumentará "40 vezes" em relação ao volume previsto para o plantio deste ano, permitindo que uma área bem maior seja semeada, disse o pesquisador.

REDUÇÃO DE CUSTOS

Apesar de mais resistente à ferrugem, a soja inox não isenta o produtor de realizar aplicações de fungicidas, embora permita que ele reduza o número de entradas na lavoura.

A média de aplicações de fungicidas em Mato Grosso, segundo o pesquisador, foi da ordem de 2,6 na temporada 2008/09, semelhante ao ano anterior.

"Acreditamos que esse valor deve se reduzir para 1,6, 1,4 aplicação, até um pouco menos."

Ele observou que a tecnologia genética aumenta a segurança do produtor, que atualmente corre riscos no processo para combater a ferrugem.

"O controle é muito cronometrado, tem o tempo exato para aplicar, se chover perde a aplicação... Quando você combina uma estratégia genética com uma estratégia química, você dá longevidade ao sistema de produção", declarou.

De acordo com o superintendente da Fundação MT, quando se considera a economia com a redução na aplicação de fungicidas e no uso de máquinas, obtém-se um "benefício da ordem de 100 dólares por hectare". Enquanto o custo da tecnologia é de cerca de 15 dólares por saca de 40 kg de semente.

"Cerca de 80 por cento do benefício fica na mão do produtor, e o restante retorna pra gente continuar investindo em novas pesquisas para a sustentabilidade da cultura", ressaltou Hiromoto, para quem o combate à ferrugem não tem fim.

"Não vai parar nunca mais. É um fungo que tem uma taxa de multiplicação muito grande, se multiplica 300 mil vezes a cada semana, tem uma capacidade de recombinação gigantesca. Ele tem fase assexuada, e toda vez que tem essa fase, tem uma recombinação, fora as mutações."

A Fundação MT já solicitou duas patentes para o produto, após estudos terem sido publicados em revistas especializadas.

A tecnologia está em processo de licenciamento para outras instituições produtoras de sementes.

Fonte: O Globo