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A Holanda quer comprar grão convencional e orgânico do paraná

Publicada em 22-05-2009


A justificativa é que o governo holandês conseguiu convencer seus consumidores sobre a necessidade de valorizar um produto que tenha qualidade e preserva a questão social e ambiental.
O interesse foi manifestado pela delegação holandesa chefiada pelo representante do Ministério da Agricultura da Holanda, Peter Schmeitz, durante o Seminário de Soja da Agricultura Familiar do Sudoeste do Paraná realizado nesta quinta-feira (21), em Coronel Vivida. O encontro foi coordenado pela Emater e cerca de 600 agricultores familiares estavam presentes no seminário, que debateu as perspectivas de mercado diferenciado para a soja convencional e orgânica.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, participou do encontro quando reforçou a intenção do governo estadual em apoiar a iniciativa em toda a cadeia produtiva da soja.

Bianchini disse que vê com muita satisfação a iniciativa da Holanda em reconhecer o sistema de produção da agricultura familiar, que agrega renda e preserva o meio ambiente. Lembrou os esforços do governador Roberto Requião em garantir um Estado livre de produção de soja transgênica e hoje é o Estado com maior volume de produção do grão convencional. O secretário exibiu dados da Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem) que atesta que 56% das sementes vendidas são de variedades convencionais.

Atualmente a venda de soja convencional e orgânica do Paraná está sendo feita pela Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Intergrada (Coopafi) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul - Fetraf Sul. Neste ano, estão sendo exportadas 3.500 toneladas do soja convencional. Mas para 2010 esse volume será ampliado para cerca de 60 mil toneladas, disse Marcos Rochinski, secretário-executivo da Fetraf Sul.

Para concretizar essa operação, a Fetraf Sul e a Coopafi querem o apoio do governo do Estado para articular toda a logística de escoamento da soja convencional e orgânica da Agricultura Familiar do Paraná diretamente para a Holanda. Essa logística abrange desde o transporte da propriedade até a saída da soja no porto, embarque no navio e chegada na Holanda, detalhou. "Produzir soja orgânica e convencional não é problema para a Agricultura Familiar.

Precisamos nos articular para garantir o escoamento desse produto. No futuro teremos navios identificados como transportadores de produtos da Agricultura Familiar", prevê.

Neste seminário, a delegação holandesa composta por representantes de associações de suinocultores, de açougueiros, da embaixada holandesa no Brasil estabeleceram os critérios que consideram importantes para aumentar a compra da soja paranaense. Além das cooperativas que atendem a agricultura familiar, a Coamo maior cooperativa agropecuária do Paraná e do Brasil enviou representante ao encontro.

Segundo o secretário Bianchini, só a Coamo tem um mercado de 10 milhões de sacas para a soja convencional e vem remunerando o produtor em cerca de R$ 2,00 por saca além do valor de mercado. O secretário lembrou que o Paraná tem um mercado garantido de cinco milhões de toneladas para a soja convencional, e o Brasil cerca de 15 milhões de toneladas.

Isso mostra que há um mercado para a soja convencional e que ele tende a crescer, disse Bianchini. Por isso a necessidade do agricultor se conscientizar em produzir com qualidade, livre de organismos geneticamente modificados, para acessar esse mercado, acrescentou.

CHEQUE Os agricultores familiares do Sudoeste do Paraná que vendem soja convencional para a Holanda receberam um cheque no valor de 17.500 euros, cerca de R$ 50 mil, em reconhecimento pela produção com critérios de qualidade, livre de transgênicos e respeito ao meio ambiente. O cheque foi repassado pela Associação dos Açougueiros daquele País. Eles valorizam o fato de terem condições de ofertar um produto que atende as exigências dos consumidores, disse o presidente da associação Antoine van Baars, um dos membros da delegação holandesa.

Os beneficiários serão os agricultores vinculados à Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Integrada (Coopafi) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul Fetraf Sul. Neste ano, a agricultura familiar do Sudoeste do Paraná vendeu 3.500 toneladas de soja convencional para a Holanda. Com isso, eles devem receber só da associação dos açougueiros da Holanda cerca de R$ 1,00 por saca.

Ocorre que esse valor corresponde a um extra ao adicional ao que o agricultor já recebe só por produzir soja convencional, que atualmente é de R$ 2,00 por saca, explicou o secretário-geral da Fetraf Sul, Marcos Rochinski.

Portanto, com esse incentivo da associação dos açougueiros da Holanda, são cerca de R$ 3,00 por saca para os agricultores familiares produzirem soja convencional com respeito à natureza e ao meio ambiente, explicou.

A Holanda estabeleceu como critérios para compra da soja convencional e orgânica do Paraná que o produto seja oriundo da Agricultura Familiar. O objetivo é apoiar e fortalecer esse setor, disse o presidente da Associação de Suinocultores, Hans Verhoeven. Essa associação se destaca por produzir suínos com qualidade ambiental e social.

Outro critério é não utilizar mão-de-obra infantil, e por fim eles exigem o respeito ao meio ambiente e à natureza no processo de produção. E por isso rejeitam a soja modificada geneticamente, disse Verhoeven.

No Sudoeste, a delegação holandesa visitou várias propriedades para verificar o sistema de produção de soja sustentável e responsável. Como a soja entra como principal elemento na composição da ração animal, os suinocultores holandeses querem essa produção para produzir suínos com qualidade e vender carne suína certificada. As informações partem da Agência Estadual de Notícias do Paraná.

Fonte: Último Segundo - Safra