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Alianças estratégicas

Publicada em 16-07-2007


Disputa por subsídios agrícolas acirra acordos econômicos

O empenho do governo dos EUA em confirmar a "parceria estratégica" com o Brasil e a atuação com o governo brasileiro na arena internacional já leva as autoridades americanas a minimizar as disputas comerciais entre os dois países. A recente disputa aberta pelo Brasil contra os subsídios americanos para a agricultura é "normal", apenas negócios, assegurou ontem o subsecretário de Estado dos EUA para assuntos jurídicos, Nicholas Burns.

Na impossibilidade de um acordo de livre comércio, dificultado por divergências na questão de subsídios agrícolas, os EUA querem explorar maneiras de aprofundar o comércio em setores como mineração, agricultura, aviação e construção civil, ou outros onde há vantagens competitivas do Brasil, anunciou Burns. O subsecretário de Estado para América Latina, Thomas Shannon, foi além: apontou os subsídios americanos como o maior obstáculo à negociação de um acordo de livre comércio entre EUA e Mercosul.

"Reconhecemos que, no Mercosul, os subsídios agrícolas são a questão central bloqueando a realização de uma área de livre comércio", afirmou Shannon, que minimizou os efeitos da disputa recém-aberta na OMC pelo Brasil. "São parte normal do processo na OMC, que foi feita, entre outras coisas, para resolver essas disputas", disse, ao garantir que os contenciosos na OMC não indicam "problemas bilaterais", mas "uma maneira de resolver questões, dentro dos regulamentos". As disputas comerciais mais difíceis dos EUA são com os "melhores amigos no mundo: Canadá, França ou Brasil", acrescentou Burns.

Segundo Shannon, os EUA e o Brasil tinham a expectativa de resolver as divergências em relação aos subsídios agrícolas nas negociações de liberalização na OMC conhecidas como Rodada Doha de Desenvolvimento. Como isso "não aconteceu, ainda", os EUA querem explorar alternativas, informou. "Reconhecemos quando olhamos uma grande área como o Mercosul, que temos continuamente de procurar maneiras de aprofundar nossas relações comerciais", afirmou o alto executivo americano, ressalvando que as negociações de comércio estão a cargo de outra autoridade, a representante comercial dos EUA, Susan Schwab.

Em entrevista para a imprensa e em palestra para empresários em um evento sobre inovação patrocinado pelos dois países, Burns elogiou enfaticamente a administração Lula e o Brasil, apontado repetidamente como líder no continente. Também ao elogiar Lula, os americanos ressaltaram que Lula tem tido um "papel construtivo", e, por isso, além da estreita relação com o governo George Bush, tem sido respeitado na Europa, onde esteve recentemente, lembrou.

Burns se esquivou quando lhe perguntaram se os Estados Unidos pode ceder à campanha do governo brasileiro por um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Mas elogiou com ênfase o papel do Brasil nas ações da ONU, como a missão de paz no Haiti, e, a portas fechadas, teve uma longa conversa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre a reforma da ONU e sobre a crise no Oriente Médio. "Os presidentes Lula e Bush estão iniciando uma conversação sobre como atuar em conjunto", disse Burns, ao defender a atuação dos dois países em outras áreas, além da América Latina.

Os dois países têm de ter uma agenda global para trabalhar de uma maneira como nunca fizeram nas últimas cinco décadas, disse o subsecretário. "É um dos momentos mais produtivos na nossa relação, tenho grande respeito pelo presidente Lula", elogiou Burns. A partir do acordo entre os dois países nos biocombustíveis e entre executivos do setor privado no Fórum de Altos Executivos que se reunirá em outubro, os dois governos "podem evoluir para redução de barreiras ao comércio", frizou Burns.

Fonte: Folha MT