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Safra doce

Publicada em 12-07-2007


Companhias apostam na ampliação para cana

A área de cana-de-açúcar assegurada no País ainda é considerada pequena. A participação não chegou nem a 0,5% da plantada de 6,7 milhões de hectares na última safra. Porém, o diretor comercial da Seguradora Brasileira Rural (SBR), Geraldo Mafra, acredita que essa fatia pode crescer de forma significativa nos próximos anos e chegar a 30% da área de plantio até 2011 decorrente da "febre do etanol", que deve motivar o crescimento da área de cana.

Diante desse cenário traçado para a cana, o executivo acredita que os recursos do governo para subsidiar o prêmio do seguro deve chegar a R$ 310 milhões só para à área de cana-de-açúcar até 2011 - o triplo dos cerca de R$ 100 milhões orçados para subsidiar a apólice do seguro para mais de 30 culturas agrícolas que contam com o subsídio do governo no seguro rural neste ano. "O espaço para crescer no seguro da cana é muito grande pela a própria circunstância do mercado, pois os investidores externos vão liberar crédito mais barato (do que o nacional) para a produção de cana no País e, consequentemente, o seguro será uma garantia exigida nessas operações", analisa Mafra. Há quem diga que já existem fundos de investimento dos Estados Unidos e da Europa fazendo consultas para esse tipo operação no Brasil.

Sem fazer estimativas para os próximos anos, Mafra acredita que a SBR deve assegurar uma área de 65 mil hectares de cana-de-açúcar na atual safra e receber o equivalente a R$ 1 milhão em prêmios. A AGF Seguros, empresa do Grupo Allianz, líder no mercado de seguro para equipamentos agrícolas, também aposta no setor sucroalcooleiro. A seguradora estréia na atual safra o pacote completo do seguro para a cana de açúcar - o AGF Usinas de Álcool e Açúcar.

"A intenção é oferecer um pacote completo para o setor sucroalcooleiro", disse Luiz Carlos Meleiro, superintendente de Agronegócios da AGF Seguros. No fundo, a AGF está de olho no desenvolvimento de novas matrizes energéticas renováveis e não poluentes, além no crescimento da implantação de novas usinas de álcool por investidores estrangeiros. "O Brasil tem mais de 250 usinas de álcool, sendo que boa parte delas é assegurada. Pretendemos atingir uma fatia desse mercado", disse Meleiro.

Novas seguradoras

Além da retomada da Porto Seguro, especializada na área de automóveis, ao seguro rural, a seguradora Unibanco que opera no Brasil em parceria com a American International Groupros (AIG) e a Tókio Marine do ABN AMRO Real pretendem lançar seguro para o campo - segundo o diretor do Departamento de Gestão de Risco Rural da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Wellington Soares de Almeida. Porém, as duas últimas seguradoras não confirmaram essa informação.

O interesse dessas empresas no agronegócio - setor que possui forte risco decorrente das condições climáticas - se deve ao aumento dos recursos de subvenção do governo que vem crescendo a cada ano. O diretor de ramos elementares e transportes da Porto Seguro, Adilson Neri Pereira, disse que neste ano a seguradora vai atender principalmente o setor de frutas. A seguradora está avaliando a possibilidade de lançar produtos também para cana, milho, soja e trigo. Só em frutas a Porto Seguro estima arrecadar R$ 200 mil em prêmios neste ano, em um mercado que gera R$ 200 milhões anuais. "Estamos ainda experimentando o mercado".

Fonte: Folha MT