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Soja: ganho pode chegar a 10% com queda da produção

Publicada em 11-02-2009


O ganho do produtor mato-grossense com a queda da produção mundial de soja anunciada ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) deverá oscilar entre 5% e 10% na safra deste ano. A previsão é do consultor técnico e econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Luciano Gonçalves.

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paludo, diz que a notícia da quebra da safra mundial deixa o produtor mais animado.

De acordo com analistas do mercado, os produtores devem vender a saca a valores que, se não chegam ao recorde de 2008, recuperam parte da queda após o agravamento da crise internacional. No ano passado, de acordo com o Imea, a melhor cotação da soja registrada na Bolsa de Chicago foi de US$ 16 bushel.

Para este ano, o forte consumo chinês, a volta dos investimentos em commodities no mercado internacional e a perspectiva de seca fazem os produtores preverem que o bushel possa bater os US$ 12,50 no meio da colheita.

“A crise no cenário mundial veio num momento em que a produção de soja estava baseada em fundamentos de oferta e demanda. Nesse momento, a queda na produção vai fazer com que o produtor de Mato Grosso colha resultados mais positivos em termos de formação de preços”, diz o consultor da Famato, Luciano Gonçalves.

Segundo ele, este ano os produtores tiveram uma lavoura de custos elevados, porém o clima favoreceu, as lavouras têm demonstrado bons resultados em termos de produtividade e os preços da commodity estão demonstrando reação.

Na avaliação do consultor da Famato, o mercado começa a desenhar um cenário mais positivo para o produtor, indicando ganhos principalmente em função da expectativa de um preço melhor para a oleaginosa devido à voracidade do mercado chinês, que deverá comprar 18% do grão exportado em 2009, segundo previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). O órgão também identificou que a demanda no mundo baterá um novo recorde: devem ser consumidas 232 milhões de toneladas da safra 2008/2009, ante as 229,96 milhões de toneladas de 2007/2008.

Os analistas acreditam também que as vendas do produto este ano serão diferenciadas. Enquanto em outras safras até 60% da produção mato-grossense era vendida antecipadamente, as negociações no mercado futuro atualmente estão muito lentas, em torno de 40%. Com isso, estima-se que a maior parte das transações se beneficiará de um preço maior na Bolsa de Chicago.

Para a analista da AgRural Commodities Agrícolas Daniele Siqueira, o os preços não devem chegar aos patamares históricos do ano passado e podem compensar no geral. “Mas, isoladamente, quem tiver perdas na produção pode não cobri-las com a venda”, lembra ela.

Fonte: Diário de Cuiabá