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Preço da soja sobe e dá novo ânimo

Publicada em 05-02-2009


Uma combinação entre o consumo chinês e estimativas de quebras de safra provoca alta no preço da soja, com projeção de maior ganho para quem conseguir boa colheita.

— Se continuar assim, o agricultor vai ganhar dinheiro, sem dúvida nenhuma — avalia Antônio Wünsch, presidente da Cooperativa Central Agroindustrial Noroeste (Coceagro).

— O bushel da soja em Chicago havia caído a US$ 8 em outubro, mas no mês passado voltou a US$ 10 — destaca Leonardo Menezes, analista da consultoria Céleres.

Em Três de Maio e em municípios vizinhos, relata Wünsch, os efeitos da estiagem já não preocupam tanto e, se continuar chovendo, a safra deverá ser boa. Com o preço da saca no início da semana, a rentabilidade no Estado chegou a 27%, calcula Tarcísio Minetto, consultor da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro).

— Se permanecer essa tendência positiva até o final da safra, poderá representar uma melhora para o produtor. Essa é a torcida — diz Minetto.

Para garantir o ganho, Leandro Frizzo já negociou 25% da estimativa de produção. Em São Miguel da Missões, acompanha pela internet as variações da Bolsa de Chicago. No dia 26 de janeiro, quando o preço subiu, fechou em R$ 50 a saca de 60 quilos, para receber em 5 de maio.

—Vendi a quantidade necessária para pagar os compromissos. Cinquenta reais é um excelente preço pelos custos que tive — explica.

Para Minetto, há certo consenso de que o melhor é não comprometer antecipadamente mais de um terço da colheita projetada, tanto para evitar problemas com a entrega quanto para diluir o risco.

Menezes confirma que o ritmo de antecipação está menor do que na safra anterior — ao redor de 30%, quando nessa época de 2008 chegava a mais de 50%.

— Esse atraso na comercialização pode gerar uma pressão de baixa maior sobre os preços no momento da colheita — adverte Menezes, dizendo que foi a expectativa de produção menor ainda está sustentando os preços internacionais.

O que ajuda

NO EXTERIOR

> China: em janeiro, o país comprou mais do que o esperado dos Estados Unidos.

> Quebra de safra: problemas na Argentina, no Paraguai e no sul do Brasil elevaram o prêmio climático, que embute alta por temor de escassez. A estimativa de projeção de 114 milhões de toneladas, entre os três países, já foi reduzida para 103 milhões.

> Fundos: responsáveis pelo pico de preços de meados de 2008 e afugentados pela crise, investidores voltaram a atuar.

NO BRASIL

> Preço em Chicago: está bem acima de meados de dezembro do ano passado.

> Prêmio no porto: sobe com escassez e desce com volume. No momento, está alto.

> Câmbio: a soja brasileira está competitiva no mercado externo. São necessários menos dólares para ganhar bem.

Fontes: Céleres, Cepea-USP, Fecoagro, Coceagro.

Fonte: Zero Hora