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Produção de grãos deve cair, sem grandes mudanças de preço ao consumidor

Publicada em 11-11-2008


Dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revelaram que a produção total de grãos na safra 2008/09, entre 139,66 milhões e 141,83 milhões, deve ser menor do que a anterior. Porém, isso não deve trazer impactos significativos aos preços para o brasileiro.

"A produção será menor, mas não muito. Em relação a preços ao consumidor, não deverá haver grandes diferenças", afirmou o superintendente da Conab, Carlos Eduardo Tavares. É exatamente por este motivo que ele acredita que o consumidor não deve mudar seu cardápio entre este ano e o próximo.

Alimentos básicos


De acordo com o presidente da Conab, Wagner Rossi, apesar dessa redução, a safra atual será marcada pela manutenção de índices. Enquanto haverá queda na produção total, alimentos básicos registrarão aumento na preferência dos produtores. De acordo com o levantamento, o avanço no cultivo de arroz, feijão e trigo deve ser de 1,2%.

"As políticas de apoio ao mercado adotadas pelo governo federal incentivaram os agricultores a aumentar em 31,4% a área plantada, sobretudo na região Sul, principal pólo produtor".

Crise e preços

Conforme afirmou o superintendente da Conab, a crise não resultou em aumento dos preços das commodities no Brasil. Veja, abaixo, o comportamento dos preços praticados no último mês, momento em que a crise se intensificou:



    * Arroz: houve aumento da produção nos últimos 30 dias e o que é colhido atende a 90% do mercado interno. Há um mês, a saca de 30 quilos era vendida a R$ 48,50 e agora está a R$ 47,05. O preço teve queda de 3%, em função de acomodação dos preços;

    * Feijão: este produto tem uma característica interessante, que é o consumo apenas interno. O feijão que se compra no exterior é bastante diferente do nacional, então, o do Brasil não tem caráter exportador. Houve incremento de produção em detrimento do milho, porque o preço do feijão estava alto, principalmente pelo incentivo do governo. O preço da saca de 60 quilos passou de R$ 200,60 há um mês para R$ 133,50 na semana atual, uma queda de 30%;

    * Milho: com o avanço do feijão, houve queda na produção. Além disso, houve aumento da produção de soja e cana em detrimento deste produto. A rentabilidade dele foi menor, então, o preço ao consumidor caiu bastante. Há um mês, a saca de quilos custava R$ 23 e, nesta semana, passou a R$ 19. Queda de 17%;

    * Trigo: a produção brasileira atende apenas metade do mercado consumidor, então o País é bastante refém do mercado internacional. A farinha, vendida em tonelada, passou de R$ 1.271 no mês passado para R$ 1.328 nesta semana. Alta de 4%, o que pode ser considerado estabilidade;

    * Soja: no Brasil, a colheita é feita no começo do ano, com estocagem ao longo dele. O que torna este mercado volátil são dados dos EUA, grande produtores de soja. O preço, há um mês, era de R$ 46,95 a saca de 60 quilo e passou a R$ 46,20. Queda de cerca de 2%, também considerada estabilidade.



De acordo com Tavares, a produção ainda não foi atingida de maneira agressiva pela crise financeira internacional, mas o mercado precisa se preocupar com a produção dos próximos anos, principalmente de 2010. "Como estarão os custos de produção? E as condições de financiamento?", indaga o superintendente. Com mais dificuldades para a produção, pode ser que os preços aumentem para o consumidor.

Fonte: Notícias