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Inoculação anual da soja proporciona ganhos na produtividade

Publicada em 20-10-2008


A importância econômica da inoculação das sementes de soja no país é evidenciada pela economia quanto ao uso de fertilizantes nitrogenados. A adubação com uréia, por exemplo, resultaria em um gasto em torno de US$ 6 bilhões, se forem considerados os cerca de 21 milhões de hectares cultivados na última safra. Além disso, deve-se considerar os graves problemas ambientais provocados pelo efeito potencialmente poluidor do nitrato lixiviado no solo, resultante do uso indiscriminado de fertilizantes nitrogenados.

Em Mato Grosso do Sul, os resultados obtidos no período das últimas 10 safras mostram que a reinoculação (inoculação em cada safra) pode proporcionar ganhos no rendimento de grãos da soja – tanto no sistema convencional como no sistema plantio direto – podendo alcançar aumento de até 22% em produtividade.

Isso reforça a recomendação da prática, que deve ser feita a cada cultivo, mesmo em áreas tradicionalmente cultivadas com soja. Em outros Estados do país os incrementos no rendimento também têm sido evidentes, variando entre 4,5% e 8%.

– O produtor deve usar o inoculante sempre, em todas as safras, mesmo porque é um insumo de baixo custo e o seu uso traz retornos econômicos significativos para o agricultor. Mesmo em solos cultivados anteriormente com soja, a reinoculação resulta em aumentos na nodulação e no rendimento de grãos – alerta o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS) Fábio Martins Mercante.

Processo

Inoculação é o processo no qual são colocados rizóbios (bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico) em contato com as sementes. Inoculante é o veículo que contém as bactérias. Freqüentemente surgem dúvidas sobre a necessidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados na cultura da soja – como complementação ao uso de inoculante – para atingir rendimentos elevados.

– Ensaios conduzidos nas principais regiões produtoras de soja do país demonstram que a aplicação de fertilizantes nitrogenados, mesmo como dose inicial de arranque, não resulta em aumentos significativos no rendimento de grãos da cultura – finaliza o pesquisador Fábio Mercante.

A cultura da soja apresenta uma elevada demanda de N devido aos altos teores de proteínas (cerca de 40%) encontrados nos grãos. Estima-se que sejam necessários em torno de 240 kg de N para a produção de três mil kg/ha de soja. As fontes de N capazes de suprir tal demanda restringem-se aos fertilizantes nitrogenados e ao fornecimento pelo processo de fixação biológica de nitrogênio atmosférico (N2).

Considerando o baixo aproveitamento dos fertilizantes nitrogenados pelas plantas (em torno de 50%) seria necessária uma quantidade estimada em 480 kg de N para a obtenção da produtividade citada. Essa quantidade de N seria equivalente a 1.067 kg de uréia, o que tornaria a cultura da soja economicamente inviável no Brasil.

 
EMBRAPA