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Novas regras para financiamento de custeio

Publicada em 02-07-2007


Lula anuncia novas regras para financiamento de custeio

R$ 100 bilhões. Esse é o montante dos recursos solicitados pelos produtores mato-grossenses no Plano de Safra 2007/08, que será anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O plano definirá as regras para o financiamento de custeio, investimento e comercialização da próxima safra, preços mínimos, volume de recursos a serem colocados à disposição dos agricultores e taxas de juros do crédito rural.

De acordo com a Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), os R$ 58 bilhões sinalizados na semana passada pelo governo ficam aquém da necessidade do setor agrícola. “Esperamos que o governo reveja este valor, pois a nossa necessidade é de no mínimo R$ 100 bilhões para esta safra”, defende o presidente da entidade, deputado federal Homero Pereira.

O plano da Safra passada previu recursos de R$ 50 bilhões e, para este ano, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também defende a ampliação do crédito para o financiamento do custeio, comercialização e investimento da safra 2007/08, além da redução das taxas de juro dos empréstimos rurais e elevação dos preços mínimos para os produtos agrícolas.

Segundo Homero Pereira, caso o volume de recursos seja insuficiente, o produtor mais uma vez terá de recorrer às tradings e multinacionais. “Para nós isso não é bom, pois o produtor acaba sendo ainda mais penalizado”.

O presidente da Aprosoja, Rui do Prado, diz que é preciso fazer o crédito chegar ao produtor. “Não basta anunciar recursos e colocá-los à disposição dos produtores. É preciso antes de tudo eliminar as burocracias para que os agricultores possam ter acesso ao crédito fácil e mais barato”.

Ele também defende a ampliação dos preços mínimos e a destinação de mais recursos para instrumentos de comercialização como o Pepro, Prop e Pesoja (Prêmios de Equalização do Produtor e da Soja), e AGF e EGF (Aquisição e Empréstimo do Governo Federal).

SUBSÍDIO – O novo Plano de Safra prevê aumento do volume de recursos a juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. Na safra atual, o sistema financeiro registra uma "sobra" de R$ 2,5 bilhões na chamada exigibilidade rural, a parcela de 25% dos depósitos à vista que os bancos são obrigados a aplicar no crédito rural. Além disso, houve uma forte elevação de 25% nos depósitos desde julho de 2006. Boa parte desse excedente, estimado em R$ 3 bilhões, reforçará os financiamentos a juros mais baixos.

COMERCIALIZAÇÃO - O novo plano do governo para o setor também prevê uma elevação nos recursos para a comercialização da safra agrícola. Serão destinados cerca de R$ 2 bilhões para instrumentos de garantia de preços, como contratos de opções, prêmios de escoamento e equalização (Prop, Pepro e Pesoja), além de aquisições diretas do produtor.

Os médios produtores, responsáveis por 20% da geração da riqueza no campo e por 19% da área total dos imóveis rurais do país, terão o "Novo Proger Rural".

Haverá ainda ampliação da faixa de renda para atender mais produtores agrícolas na safra 2007/08. Hoje, para efeito de enquadramento no Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda), o produtor precisa ter renda anual entre R$ 80 mil e R$ 240 mil. Levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento aponta que a maioria absoluta dos produtores brasileiros detém áreas entre 20 e 300 hectares.

Fonte: Diário de Cuiabá