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Em baixa

Publicada em 14-10-2008


Quando o mercado pensava que as cotações da soja e do milho tinham chegado ao fundo do poço, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) surpreendeu e anunciou uma produção ainda maior dos dois grãos. Junto, veio outro dia nervoso nas bolsas internacionais, principalmente nas asiáticas.

O resultado foi um novo tombo para as cotações de soja e milho na Bolsa de Chicago (CBOT), que bateram limite de baixa e mantiveram paradas as negociações no Brasil e nos EUA.

Na sexta-feira, o contrato de janeiro da soja fechou em US$ 9,2550 o bushel, queda de 70 pontos, ou de 7,03%. Na semana, a commodity acumula recuo de 8,2%. Os papéis do milho com vencimento em dezembro encerraram o pregão de sexta-feira em US$ 4,0825, queda de 6,8%, e acumula recuo de 10% na semana.

"O preço dessas commodities está subvalorizado por uma razão muito simples: ele não cobre o custo de produção. Se o pânico no mercado for normalizado, é possível que o preço retorne para estimular a produção. Se o pânico continuar, haverá mais pressão de baixa", avalia Leonardo Sologuren, diretor da Céleres.

Nos cálculos da consultoria, para estimular minimamente a produção, os preços da soja devem retomar a 12 e 13 centavos de dólar por bushel na bolsa americana e os do milho, para níveis acima de 5 centavos de dólar por bushel.

Vinícius Ito, analista de gerenciamento de risco da consultoria FCStone, conta que o mercado contava com uma correção para baixo nos números do Usda, e acabou se surpreendendo com um incremento de área considerável para soja.

O órgão americano informou um cultivo de 2,2 milhões de acres (890 mil hectares) adicionais para a soja nos Estados Unidos, o que contribuiu para aumento de 1,34 milhões de toneladas a mais na colheita americana - de 79,85 milhões de toneladas do relatório de setembro para 81,19 milhões de toneladas do de outubro.

"Nunca houve uma mudança tão grande na área anunciada pelo Usda. Acabou surpreendendo todo mundo", afirma Ito, da FCStone.

No milho, a alteração foi na produtividade, puxada para cima pelo Usda, de 152,3 bushels por acre do relatório de setembro para 154 bushels por acre em outubro, alta de 1,1%.

O resultado foi um ajuste nos estoques americanos de milho de 25,86 milhões de toneladas para 29,31 milhões de toneladas.Os estoques mundiais de soja anunciados pelo Usda aumentaram 7,8% de 51,23 milhões de toneladas em setembro para 55,24 milhões de toneladas em outubro.

Os americanos evoluíram de 3,67 milhões de toneladas para 5,98 milhões de toneladas. A relação consumo/estoque continua acima da média histórica, segundo Sologuren.

"O estoque é de 23,4% do consumo, percentual que historicamente é de 16%", compara Sologuren. Já para o milho, a relação é altista. Atualmente está 13,4%, abaixo da média histórica de 22%.

Mas apesar dos números mais inchados para soja e milho, a desvalorização dos preços desses dois grãos está muito exagerada, na avaliação de Ito.

"Os estoques não estão baixos a ponto de estabelecer esses preços. Eles são estimuladores do consumo. Se o mundo não entrar em colapso, vão acabar a soja e o milho nos Estados Unidos", argumenta Ito.

Se os atuais patamares de preço se mantiverem, diz Sologuren, o cultivo nos países serão seriamente desestimulados, causando novamente uma forte inflação em outro momento.

O relatório do Usda também divulgou um estoque final maior para o trigo. O relatório de setembro indicava 139,89 milhões de toneladas e o de outubro, 144,41 milhões de toneladas, alta de 3,2%.

O aumento é resultado de uma maior produção prevista para os Estados Unidos de 67 milhões de toneladas para 68,03 milhões de toneladas. As cotações do cereal na sexta-feira também reagiram mal, com queda de 6,7%.


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