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AgraFNP reduz previsão de safra 2008/09 de soja do Brasil

Publicada em 10-10-2008


"O pessoal estava esperando uma coisa, mas com a restrição de crédito, as tradings mais seletivas (para conceder o crédito), os preços de fertilizantes subindo mais de 100% em relação à safra passada... Somando tudo isso, reduzimos a previsão", disse o analista da consultoria Pedro Collussi.

A área plantada com soja foi estimada em 22,18 milhões de hectares, contra 22,4 milhões estimados em setembro e 21,3 milhões de hectares da safra anterior, quando o Brasil produziu 60 milhões de t.

A estimativa da consultoria está em linha com a do governo, que na quarta-feira previu a produção em um intervalo de 60,1 milhões e 61,27 milhões de t.

O plantio de soja, que já começou, não sofreu mais os efeitos da crise porque deve ocorrer, em parte, em áreas antes dedicadas ao milho, cuja semeadura deverá cair em relação ao ano passado.

A AgraFNP estimou a área da primeira safra de milho do Brasil em 9,3 milhões de hectares, contra 9,65 milhões previstos em setembro. Em 07/08, o Brasil plantou 9,65 milhões de hectares, segundo o Ministério da Agricultura.

"Estamos mais otimistas com a soja do que com o milho", observou Collussi, salientando que a rentabilidade da oleaginosa no momento é maior do que para o cereal.

Por isso, a redução na estimativa de produção de milho na primeira safra, para 36 milhões de toneladas, contra 37,3 previstos em setembro. A safra total, incluindo a safrinha, resultaria em uma produção de 53,8 milhões de toneladas, contra 56,1 milhões apontados em setembro e 58,6 milhões de t da colheita 07/08.

A estimativa para o milho feita pela AgraFNP está abaixo da previsão do governo, de uma safra de até 56 milhões de t.

"O milho vai perder 6 por cento de área no Paraná e 5% no Rio Grande do Sul", afirmou o analista, lembrando que a soja deverá ocupar boa parte dessas regiões de cultivo.

Segundo ele, além disso, como a safra de milho terá um custo maior com fertilizante, deverá ocorrer uma redução de 15% no uso de adubos.

"Com a queda de área e a redução na produtividade, safra de verão no Sul pode ser reduzida em mais de 2 milhões de t."

NOVAS FRONTEIRAS

A AgraFNP afirmou que o plantio de soja crescerá em novas fronteiras agrícolas, como Tocantins, Maranhão e Piauí, em áreas de agricultura de larga escala, feita por empresas mais capitalizadas e que conseguiram comprar fertilizantes em melhores condições.

Segundo a AgraFNP, o plantio de soja deve crescer de 330 mil hectares, no ano passado, para 430 mil em Tocantins, enquanto subirá de 420 mil para 500 mil hectares no Maranhão.

Collussi destacou ainda que a soja, apesar da crise, deverá continuar com uma forte demanda interna e externa, especialmente da China.

"Os fundamentos para a soja continuam firmes, não vemos queda para a China", declarou ele, referindo-se ao maior importador mundial da oleaginosa.

As exportações de soja do Brasil, o segundo exportador mundial, foram estimadas pela AgraFNP em 08/09 em 27-28 milhões de t, contra 25,7 milhões de t previstas pelo governo em 07/08.

Reuters