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Produtores vão à China

Publicada em 10-10-2008


Sem uma solução para o problema da falta de crédito que atingiu a agricultura brasileira após a crise do sistema financeiro mundial iniciada nos Estados Unidos, um grupo de produtores mato-grossenses, liderados pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), partiu ontem para a China em busca de recursos para salvar a atual safra (08/09), cujo plantio está em pleno andamento. A estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) é de que ainda faltam 600 mil toneladas de fertilizantes só para concluir o plantio da soja.

“Não falamos do déficit que os produtores já acumulam nesta safra – R$ 2,79 bilhões – que incluem R$ 1 bilhão relativos às parcelas das dívidas (custeio e investimentos) que estão vencendo este ano”, lembra o presidente da Comissão Integrada de Endividamento Rural do Estado e diretor administrativo da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk, um dos integrantes da comitiva à China.

Ao lado de outros produtores, ele acompanha o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, nesta peregrinação pela Ásia. “Vamos visitar também Dubai, nos Emirados Árabes, e participar de eventos em algumas cidades da China, como a Feira de Cajcun, a maior do continente asiático. Mas o nosso principal foco serão os contatos com as tradings chinesas, na tentativa de conseguir um socorro para que possamos concluir o plantio da lavoura”, informa Silveira. Estão previstas visitas também a Pequim e Hong Kong.

Ele informou já ter mantido contato com a maior trading chinesa – a Chainatec – com a qual espera obter crédito. “Além do dinheiro necessário à conclusão do plantio, vamos tentar também financiamentos para que possamos pagar parte das parcelas das dívidas rurais”.

No próximo dia 15 vencem novas parcelas do endividamento rural – investimentos e custeio - referentes às safras anteriores. “O produtor, na verdade, não tem dinheiro nem para plantar. Como ele vai pagar as dívidas?”, questiona Ricardo Tomczyk.

A recomendação das entidades produtoras – Aprosoja, Famato (Federação da Agricultura e Pecuária) e Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão) – é para que os agricultores foquem suas atenções no plantio da safra e ignorem as dívidas que estão vencendo.

ALERTA - O presidente da Aprosoja/MT, que esteve na última quarta-feira em Brasília ao lado de outras lideranças produtoras percorrendo os gabinetes ministeriais e chamando a atenção da imprensa nacional para a gravidade da situação, afirmou que os produtores estão procurando ser realistas com o governo federal para que mais tarde ninguém tenha surpresas. (Veja quadro ao lado)

“Estamos alertando o governo para este grave problema vivido pela agricultura brasileira, em especial a de Mato Grosso, que está sendo mais penalizada com a falta de crédito no mercado. Por enquanto, é apenas um aviso. Se medidas urgentes não forem tomadas o agronegócio brasileiro mergulhará em uma nova crise, com conseqüências imprevisíveis para o país”.

Um dos reflexos, na avaliação do vice-presidente da Ampa, Carlos Ernesto Augustin, seria a volta da inflação e a queda da produção e do volume das exportações. “A balança brasileira do agronegócio poderá sofrer um revés, pois Mato Grosso é o maior produtor de soja e algodão e tem o maior rebanho comercial do país”, adverte.



Diário de Cuiabá