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Falta crédito

Publicada em 26-09-2008


Os gargalos para a liberação de crédito destinado ao financiamento do plantio de grãos em Mato Grosso começam a colocar em risco a produtividade das principais lavouras do Estado nesta temporada 2008/09.

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT) mostra que, até o último dia 20, os volumes comprados para o plantio de soja no Estado corresponderam a apenas 340 quilos por hectare, quando seriam necessários pelo menos 450 quilos.

Em comunicado, o Imea esclarece que até agora as cooperativas, tradings e outros agentes privados que atuam em Mato Grosso compraram 2,3 milhões de toneladas voltadas à semeadura de soja em 2008/09, e que desse total cerca de 300 mil toneladas ainda não chegaram às mãos dos agricultores.

Mas, mesmo quando esse volume adicional estiver na terra, o total aplicado será insuficiente. Cálculos do Imea apontam para uma necessidade total de 2,65 milhões de toneladas, tendo em vista uma estimativa de aumento de 4% na área plantada com o grão no Estado, para 5,88 milhões de hectares.

Maior produtor de soja do Brasil, Mato Grosso tem solos pobres e precisa de mais adubo que pólos de produção como os da região Sul do país, por exemplo.

Os problemas para a aquisição do insumo no mercado mato-grossense também já chamaram a atenção da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Tradicionalmente o maior consumidor de fertilizantes do país, Mato Grosso, este ano, absorveu, até agora, apenas 300 mil toneladas a menos que o Paraná, que lidera a produção brasileira de grãos em geral, de acordo com entidade.

Comportamento semelhante foi verificado há mais ou menos dois anos, quando uma crise aguda de liquidez e renda, atrelada a um comportamento cambial e de preços desfavorável, também prejudicou a demanda mato-grossense por insumos e restringiu a produção estadual de soja.

Agora, é a combinação entre crédito e custos que mais preocupa, como confirma o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira.

"Nesse momento não há como o sojicultor usar o mesmo nível de tecnologia do ano anterior. As altas dos preços desses insumos e a falta de crédito impedem um aporte maior, o que poderá refletir na produtividade desta safra que se inicia", afirmou o dirigente em nota divulgada ontem.

Tanto a Anda quanto o Imea já identificaram alguma redução de preços dos fertilizantes no mercado, em razão sobretudo da queda das cotações internacionais de petróleo - fonte de nitrogênio, que junto com potássio e fosfato forma a base para a produção de adubos agrícolas.

O Imea identificou, por exemplo, uma redução significativa de preços em Lucas do Rio Verde, um dos principais pólos de grãos de Mato Grosso. Segundo levantamento do instituto, ali houve baixa de mais de 30%, mas mesmo assim os negócios são pontuais.

Sinal dos tempos: em Santa Catarina, segundo a Fecoagro (federação de cooperativas locais), dois caminhões cheios de fertilizantes foram roubados nos últimos dias. A polícia foi avisada mas, até ontem, não havia notícias deles.

Valor Econômico