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Safrinha pode recuar 70% no Estado na próxima temporada

Publicada em 23-09-2008


O que era tido como um alívio ao bolso do produtor poderá ser a nova tormenta do campo. O milho safrinha que nesta safra fez do Estado o maior produtor brasileiro do grão na segunda safra, já sinaliza problemas na relação custo e receita ao produtor mato-grossense. O alto custo dos fertilizantes poderá provocar um recuo de até 70% na área da safrinha do milho em Mato Grosso no próximo ano.

O alerta veio da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), que aponta dificuldades para a próxima safra de grãos. “As previsões realmente não são nada boas, pois se fala em menor aplicação de fertilizantes nas lavouras, o que deverá implicar em uma redução na produtividade”, afirma o vice-presidente Norte da entidade, Neri Geller.

Segundo ele, a maioria dos produtores está preocupada com a safrinha de milho por causa dos elevados custos de produção. “Vender a saca ao preço de US$ 7, é prejuízo certo, pois o produtor teria que produzir 105 sacas para pagar o custo. E a média hoje gira em torno de 80 sacas o rendimento por hectare”.

Os insumos que mais subiram para os produtores foram os fertilizantes, óleo diesel e defensivos. “Só os fertilizantes aumentaram quase 300% em um ano. O produtor não tem como se sustentar frente a essas altas”, alerta Geller.

O cenário atual aponta incertezas sobre como se dará o plantio do milho no Estado, atualmente maior produtor no país da segunda safra do grão. A cultura, que vinha sendo considerada uma alternativa para reduzir o impacto negativo na renda obtida com a produção de soja, também apresenta um descompasso entre o custo para a compra de insumos e a cotação no mercado.

Os preços dos insumos apresentam aumento de 29% para a safra 08/09, que tem início a partir da segunda quinzena de janeiro de 2008, em relação à 07/08. Para produzir a próxima safra de milho, o custo por hectare para a compra de fertilizantes, sementes e químicos já chegou a R$ 944 em agosto deste ano ante os R$ 729,75 verificados no mesmo mês de 2007.

Os valores são referentes ao custo com insumos básicos em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), que além de maior produtor de soja é também o maior em no estado, com uma produção de 978 mil toneladas na safra 07/08. Mas a alta atinge todas as regiões produtoras de milho no Estado.

SOJA – Segundo informações de analistas do mercado, os sojicultores que não compraram todo o adubo necessário para o plantio da safra de verão precisarão de mais sacas do grão para comprar a mesma quantidade de fertilizantes, a chamada relação de troca. A forte queda nos preços das commodities agrícolas dos últimos dias, motivada em parte pela crise econômica que se espalha pelo mundo, já cria um cenário de incerteza com relação à rentabilidade da próxima safra.

Com essa queda, atualmente o custo com fertilizantes corresponde a 50% do gasto total por hectare em uma lavoura de soja. De acordo com a Céleres, o custo médio para a próxima safra é de R$ 1,58 mil por hectare, cerca de R$ 30 por saca.

A recomendação da Aprosoja/MT é para que os produtores tenham o máximo de cautela e façam um bom trabalho de planejamento para evitar grandes perdas na safra 08/09 – iniciada na semana passada no Estado -, pois as estatísticas mostram que enquanto os custos de produção sofreram fortes altas, a rentabilidade da soja vem caindo a cada ano.

Os dois principais componentes da adubação – o STP (superfosfato triplo) e o Kcl (cloreto de potássio) registraram forte elevação, o mesmo acontecendo em relação ao superfosfato simples (similar do STP), que teve valorização de 719% no período de 2002 a 2007. Já o sulfato de amônio – nitrogenado que se usa nas lavouras de milho e algodão – sofreu majoração de 640% no período.

Segundo o vice-presidente Norte da Aprosoja/MT, Neri Geller, no ano passado os produtores pagavam 24 sacas de soja por uma tonelada de adubo. Hoje, o produtor precisa de 47 sacas de soja para comprar a mesma quantidade de fertilizantes. Os preços da tonelada de adubo, que custavam US$ 250 dólares, atualmente estão em US$ 750 dólares. “Os produtores que não adquiriram toda a quantidade necessária de fertilizantes para esta safra estão ‘ferrados’, pois terão que plantar com menos tecnologia e certamente vão produzir menos”. Geller informou que a maioria dos produtores com lavouras no eixo da BR-163 comprou os insumos. “O problema são as áreas novas e os produtores menos estruturados”.

PLANTIO – Geller informou que as chuvas que caíram no final de semana animaram os produtores a plantar. Na região de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso e Tapurah – municípios ao norte de Cuiabá - alguns produtores já iniciaram o plantio. “A maioria deles não vai plantar agora porque a terra ainda não está com umidade suficiente para receber a semente. Acredito que o que está sendo plantado agora não chega a representar 1% de toda a área prevista”.


Diário de Cuiabá