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Sojicultores também aguardam pela chuva no interior de MT

Publicada em 15-09-2008


Com expectativa de colher 17,95 milhões de toneladas nesta nova safra de soja (08/09), os produtores mato-grossenses aguardam o término do vazio sanitário – período em que é proibido o cultivo do grão como forma de eliminar os fungos da ferrugem asiática – para iniciar o plantio. Como o período do vazio sanitário se estende até o próximo dia 15, segunda-feira, somente a partir do dia 16 é que o plantio estará liberado em Mato Grosso.

“Mas, os produtores dependem do fator tempo para começar a plantar, não basta a temporada estar aberta”, lembra a analista de Grãos e Fibras do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Maria Amélia Tirloni. Ela diz que em todo o Estado o tempo ainda está muito seco e longe de oferecer condições para o plantio. “Não temos praticamente nenhuma umidade no solo, faltam chuvas”.

A analista conta que “tivemos algumas chuvinhas esparsas nas regiões de Sapezal e Campo Novo”, mas não é o suficiente. “Está todo mundo olhando para o céu, à espera de chuva para iniciar o plantio da safra. Mas não temos idéia de quando isso irá ocorrer para o produtor dar a largada”.

No ano passado, quem ficou com a “pole position” da safra brasileira de soja foi o município de Sapezal (480 quilômetros ao noroeste de Cuiabá), deixando para trás o município de Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá), que tradicionalmente plantava primeiro. Na região, as variedades precoces responderam no ano passado por 50% do plantio no município, que tem expectativa de plantar este ano cerca de 400 mil hectares.

Campo Novo do Parecis (396 quilômetros ao noroeste de Cuiabá) também deverá registrar uma pequena expansão da área plantada de soja. De acordo com o produtor Antônio Luiz Finazi, a área em Campo Novo deverá saltar de 385 mil hectares para 405 mil hectares de soja na safra deste ano. “Isto porque muitos produtores que iriam plantar algodão resolveram migrar este ano para a soja”, explica.

De todos os municípios do norte e médio norte de Mato Grosso, Diamantino (210 quilômetros ao norte de Cuiabá) foi praticamente o último a plantar no ano passado. “Em nossa região a chuva foi muito irregular no começo do período de plantio. Este ano praticamente não temos chuva desde o mês de junho e ninguém sabe quando o plantio irá começar”, diz o agricultor Sérgio Damasceno Júnior. A previsão é de que sejam plantados este ano cerca de 230 mil hectares de soja no município.

Tecnologia – Com pouco crédito e alto nível de endividamento, muitos produtores de soja de Mato Grosso foram obrigados a baixar o nível de tecnologia nesta safra. Em boa parte das regiões, os produtores usaram menos adubos e fertilizantes e recorreram à poupança do solo (áreas já exploradas de algodão com condições de adubagem propícias ao plantio de soja).

“A conseqüência deste menor emprego de tecnologia pode ser a queda da produtividade, com perdas de renda para o produtor no final da colheita”, alerta o produtor Orlando Guimarães Ticiane. Com expectativa de plantar 5 mil hectares de soja no município de Campo Novo, o produtor está aguardando o término do período do Vazio Sanitário e a chegada das primeiras chuvas para começar a semeadura. “Depois do Vazio, só vou depender das chuvas. As máquinas já estão prontas para dar a largada”, conta.

Em Sapezal, alguns produtores também tiveram dificuldades em utilizar a mesma quantidade de fertilizantes nas lavouras. “A situação preocupa porque isso torna a planta mais vulnerável e suscetível a uma queda de rendimento”, diz o produtor José Aldemar Lima.

Em Diamantino o nível de tecnologia nas lavouras poderá cair este ano 10%, segundo cálculos dos analistas.

Diário de Cuiabá