Notícias


PIB no primeiro semestre do ano cresce 6%

Publicada em 12-09-2008


O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no País, somou R$ 716,9 bilhões no segundo trimestre do ano, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado e 1,6% em relação ao primeiro trimestre. Com esse desempenho, o PIB acumula R$ 1,38 trilhão nos primeiros seis meses do ano, um crescimento de 6%, na maior variação semestral desde o primeiro semestre de 2004, quando a expansão foi de 6,6%. No ano passado, o PIB no primeiro semestre teve elevação de 4,9%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também reviu o crescimento do PIB do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, de 5,8% para 5,9%. A alteração foi motivada pelo desempenho do setor agropecuário, cujo crescimento foi revisado de 2,4% para 3%.
Segundo a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, o PIB do segundo trimestre apresentou uma "pequena aceleração" em relação à expansão do primeiro trimestre, "apesar do aumento" da taxa efetiva Selic de 11,2% ao ano no primeiro trimestre para 11,7% ao ano no segundo trimestre. Segundo ela, a alta dos juros "leva um tempo para ter efeito sobre a economia".
Além disso, de acordo com Rebeca, há duas atividades que foram responsáveis pela aceleração do aumento do PIB: a agropecuária, que apresentou alta de 3% no primeiro trimestre e de 7,1% no segundo trimestre, e as despesas de administração pública, com expansão de 1,1% no primeiro trimestre ante igual período do ano anterior, para 2,3% no segundo trimestre.
Segundo Rebeca, o aumento das despesas, neste caso, responde especialmente ao aumento de contratações. Como em ano eleitoral as contratações públicas têm que ser encerradas até 5 de julho, acabam se concentrando no primeiro semestre, com efeito sobre o PIB.
Ela sublinhou também o forte efeito que o consumo das famílias, impulsionado sobretudo pela massa salarial e os investimentos, sob influência da produção e produção de máquinas e equipamentos e a construção civil, tiveram sobre o PIB.
Os investimentos, computados pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), foram recorde no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, com aumento de 16,2%. O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, disse que mais importante do que essa expansão recorde é o fato de que a FBCF tem crescido trimestralmente a taxas acima de 13% desde 2007 e aumenta no patamar de dois dígitos desde o quarto trimestre de 2006. "É um período bastante grande de crescimentos elevados, só equivalente ao que ocorreu em 2004", disse Olinto.


Impostos sobre valor agregado têm elevação de 8,3%
Os impostos sobre valor agregado cresceram 8,5% no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado e 8,3% no primeiro semestre, segundo o IBGE. No acumulado de 12 meses, os impostos aumentaram 9,2%.
As informações se referem à arrecadação e não necessariamente à alta de alíquotas ou base de contribuição. O IBGE não computa os impostos na série com ajuste sazonal, que compara o trimestre com o imediatamente anterior. Em parte, o aumento vem do crescimento da importação, já que aí entra também o imposto de importação.
Os impostos sobre produtos têm tido variação maior do que sobre a indústria, serviços e agropecuária, nas últimas pesquisas do PIB, e dessa vez não foi diferente. O valor adicionado pelos três setores no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2007 foi de 5,7%, acumulando 5,6% e 5,4% no ano.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que o crescimento do PIB foi um bom resultado, mas a nota negativa relativa às contas nacionais no trimestre passado foi o crescimento da arrecadação de impostos sob produtos e serviços. "A expansão dos impostos acima do PIB mostra que estávamos certos no ano passado, quando defendemos o fim da CPMF, pois foi a maior reforma tributária que o País já teve, com uma redução de 1,5% do PIB (em tributos). Os programas (do governo) não foram parados e não houve nenhuma catástrofe", avaliou.
Skaf ressaltou o bom desempenho do PIB no segundo trimestre e afirmou que o País precisa continuar a crescer de 6% a 7% nas próximas duas décadas. "A solução dos problemas brasileiros está no crescimento, e nós precisamos enfrentar todos os gargalos (de infra-estrutura) e dificuldades para registrarmos um crescimento elevado".
Segundo ele, a sociedade precisa se acostumar à idéia de crescimento. "Os países emergentes estão crescendo 8% a 9% há 15 anos. Temos de nos acostumar com crescimento a altas taxas para os próximos 20 anos."

Aumento da massa salarial fortalece
o gasto das famílias em 6,7%
O consumo das famílias registrou, no segundo trimestre deste ano, aumento de 6,7%, o 19º aumento trimestral consecutivo, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. No primeiro trimestre de 2008, o consumo das famílias havia crescido 6,6% ante igual trimestre do ano passado, ou seja, o patamar de expansão manteve-se estável de um trimestre para o outro. O consumo das famílias passou de R$ 412 bilhões no primeiro trimestre deste ano para cerca de R$ 430 bilhões no segundo trimestre. No primeiro semestre, a alta foi de 6,7% e, em 12 meses, de 4,1%.
Segundo Rebeca, a continuidade no aumento do consumo responde a uma aceleração no aumento da massa salarial real (8,1% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, sendo que no primeiro trimestre o aumento da massa havia sido de 6,5%) e a um crescimento nominal de 32,9% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para pessoas físicas no segundo trimestre, ante igual período de 2007. Rebeca lembra que o aumento do saldo de operações de crédito "desacelerou um pouco" em relação ao primeiro trimestre, quando havia crescido 33,7%.

Juros tiveram pouco efeito sobre
o consumo, analisa o IBGE
A elevação dos juros sobre o consumo das famílias no segundo trimestre teve pouco efeito. Os juros começaram a subir em abril e demora um tempo para que isso afete a economia. Além disso, houve outros fatores que influenciaram o consumo, como a aceleração no aumento da massa salarial.
Sobre possíveis efeitos das turbulências internacionais no desempenho da economia brasileira no primeiro semestre, Rebeca Palis, do IBGE, comentou que "a gente não sabe quanto (a economia) poderia estar crescendo sem as turbulências, mas de qualquer forma tivemos um crescimento bom e sustentado pelos investimentos, que tiveram aumento recorde no segundo trimestre".
Segundo ela, o aumento dos investimentos "é muito importante, porque aumenta a capacidade produtiva do País". O consumo do governo também continuou subindo, com aumento de 5,3% no período de abril a junho em relação aos mesmos meses de 2007.

Obras públicas influenciam
resultados da construção civil
A construção civil foi o segmento de maior destaque na indústria no segundo trimestre, com crescimento de 9,9% na comparação com o segundo trimestre de 2007. "Esse crescimento foi muito influenciado pelas obras públicas; no primeiro trimestre a alta da construção civil também foi próxima de 9%", disse Rebeca. Ela citou também que houve crescimento do crédito direcionado à habitação de 26,7% no período. "A população ocupada na construção está crescendo 5%", disse.
A indústria extrativa mineral cresceu 5,3% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2007, influenciada, principalmente, pelo setor de petróleo e gás, de maior peso, que se expandiu 5,1%. A extração de minério de ferro aumentou 7,3% nessa comparação. Já a indústria de transformação registrou alta de 4,8%, tendo como destaques máquinas e equipamentos, automóveis, metalurgia, material elétrico e produtos químicos.
Os serviços industriais de utilidade pública (Siup), como energia elétrica, água e saneamento tiveram expansão de 4,5%. "O que puxou para cima aí foi o gás. A energia elétrica apresentou taxa mais baixa", contou Rebeca.
O setor externo manteve, no segundo trimestre de 2008, a contribuição negativa sobre o PIB que vem sendo registrada desde o primeiro trimestre de 2006, segundo Rebeca. Isso ocorre porque as importações são contabilizadas com sinal negativo no cálculo do PIB e estão crescendo acima das exportações.
No segundo trimestre, segundo Rebeca, houve aceleração no aumento das importações e exportações, especialmente por causa do fim da greve dos auditores federais. Na comparação com igual período de 2007, as exportações aumentaram 5,1% no segundo trimestre deste ano, enquanto as importações registraram alta de 25,8%.
No primeiro trimestre, nessa base de comparação, as exportações tiveram queda de 2,1%, enquanto as importações aumentaram 18,9%. No caso das importações de bens e serviços, os destaques no segundo trimestre foram produtos extrativos minerais, siderurgia, veículos automotores, têxtil e equipamentos eletrônicos.

Café, milho, arroz e soja mantêm agropecuária forte
Café, milho, arroz e soja foram destaque na alta da agropecuária, de 7,1% no segundo trimestre em relação ao mesmo período. As quatro culturas tiveram safras importantes também no segundo semestre, observou a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
Ela citou dados da pesquisa de safra do IBGE que indicam para este ano aumentos de 27,7% na produção nacional de café, de 12,8% na de milho, de 9,6% para arroz e de 3,6% na de soja. Rebeca comentou que café e milho tiveram ganhos de produtividade importantes, que são considerados na pesquisa do Produto Interno Bruto.
O pesquisador Celso Vegro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, disse que "a produção de café este ano é a segunda maior de todos os tempos", o que explica a boa participação do produto na elevação do PIB da agropecuária.

Importação e produção de máquinas impulsionaram investimentos
O aumento recorde de 16,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no segundo trimestre em relação a igual período do ano anterior foi impulsionado pela produção e importação de máquinas e equipamentos, entre outros itens. Os investimentos aumentaram em torno de R$ 122 bilhões para cerca de R$ 134 bilhões do primeiro para o segundo trimestre.
Segundo o IBGE, a FBCF, que teve o 18º aumento consecutivo ante igual trimestre de ano anterior, subiu também sob influência da elevação do crédito para recursos livres a pessoas jurídicas (41,3% no segundo trimestre ante igual período do ano anterior).
Além disso, a taxa básica de juros, a Selic, que também tem efeito sobre os investimentos, estava no patamar 11,7% ao ano no segundo trimestre de 2008, ainda inferior à taxa de 12,3% ao ano no segundo trimestre de 2007.
Para o sócio-diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira o FBCF foi o grande destaque do PIB. "Mostra que a economia segue crescendo", disse. Bandeira acrescentou que o PIB de 6,1% no segundo trimestre está acima do potencial e uma desaceleração da economia, acredita, deve vir a partir do terceiro trimestre e ficar mais claro no ano que vem. A projeção do diretor é de crescimento do PIB de 4,8% ou 5% este ano e de 3% a 3,5% em 2009, em cenário de IPCA em 6,3% este ano e perto de 4,5¨% no ano que vem e Selic indo de 14,50% em 2008 para 13,70% em 2009.
A economista do Unibanco, Giovanna Rocca, disse que não resta dúvidas de que os dados referentes à FBCF foram a estrela do resultado do PIB no período. "Acreditávamos num crescimento de 11,8% no período e o resultado efetivo foi de 16,2% na comparação com o segundo trimestre de 2007", constatou. "Esta taxa foi bem elevada, bem acima dos demais componentes do PIB", ressaltou.
Ela calculou que a contribuição da FBCF no resultado do crescimento da atividade no segundo trimestre foi de 0,96 ponto percentual. Giovanna destacou ainda que o consumo das famílias (1%) veio mais fraco do que a sua estimativa de 1,5%.

Mantega espera PIB
de até 5,5% em 2008
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o resultado do PIB no segundo trimestre de 2008 indica que a economia brasileira deve fechar este ano com um crescimento entre 5% e 5,5%, maior que a previsão inicial do governo, que era em torno de 5%. "O resultado do PIB no segundo trimestre está um pouco mais forte, talvez tenhamos um crescimento em 2008 parecido com o do ano passado, que foi de 5,4%", afirmou.
De acordo com cálculos do IBGE, o PIB terá que acumular uma expansão de 4% no segundo semestre - bem abaixo, portanto, da alta de 6% do primeiro semestre - para chegar a um crescimento total de 5% em 2008.
Os bancos já reavaliam suas estimativas, reforçando um crescimento maior que o esperado. O Unibanco, por exemplo, revisará sua projeção para o PIB deste ano de 4,8% para uma taxa levemente superior a 5%, segundo a economista da instituição Giovanna Rocca, que definirá a taxa exata após estudar mais detalhadamente os números divulgados ontem.
Mantega avaliou que o crescimento econômico tem uma qualidade melhor do que em outros períodos porque vem acompanhado da desaceleração da inflação. Ele lembrou que a pesquisa Focus do Banco Central junto ao mercado já reduziu a previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, de 6,56% para 6,27%. "Portanto, abaixo do limite da expansão da meta de inflação", afirmou. A banda superior da meta de inflação é de 6,5%.
O ministro acrescentou que a qualidade do crescimento é constatada ainda pelo aumento dos investimentos, que tiveram um acréscimo maior no segundo trimestre do que o registrado no primeiro trimestre, quando já havia sido de 15,2%. "Esse crescimento sólido da economia vem sendo puxado por investimentos. Isso significa que a demanda está crescendo, mas que também está tendo aumento de oferta", explicou. "A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu quase três vezes mais do que a expansão do PIB. Isso é um bom indicador."


Brasil obtém o oitavo melhor resultado entre emergentes
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que um levantamento realizado pela sua assessoria mostrou que o Brasil teve o oitavo maior crescimento do PIB no segundo trimestre dentre os principais países emergentes. A lista, segundo o ministro, é liderada pela China, Peru e Índia. "Estamos em uma situação boa, o que significa que o governo está ajudando a economia. Vamos continuar o controle da inflação e adotando políticas que ajudem no crescimento", disse.
Ele se diz cada vez mais otimista com o alcance de um crescimento de pelo menos 5% neste ano, podendo atingir 5,5%. Segundo o ministro, isso terá um efeito benéfico para a economia no próximo ano. "Tem um efeito de arrasto para 2009 que ajuda, certamente, a alcançarmos 4,5% em 2009. Os 4,5% tendem a ficar muito mais próximo de serem realizados", afirmou. O ministro considera o aumento dos investimentos o aspecto mais positivo do resultado divulgado pelo IBGE.

Indústria gaúcha recebe números com otimismo
O crescimento do PIB foi recebido com otimismo pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). "O resultado é muito positivo, pois indica que a economia brasileira continua aquecida, principalmente com o aumento do consumo interno a partir da expansão da massa de salários e do crédito no mercado", afirmou o presidente da instituição, Paulo Tigre.
Ao analisar os dados, Tigre destacou que o bom desempenho da economia é também resultado da elevação das taxas de investimentos, que atingiram o maior patamar sobre o PIB dos últimos sete anos. De acordo com o IBGE, elas cresceram 16,2% no segundo trimestre, quase três vezes superior ao da economia. No entanto, Tigre alerta que o ritmo ainda é inferior ao necessário para acompanhar a elevação do consumo das famílias e é preciso tempo para que ocorra uma maturação desses investimentos. O presidente da Fiergs lembrou que a indústria, com crescimento de 5,7% no segundo trimestre, está trabalhando no seu limite de produção.

JC