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Soja aumenta os impactos sociais na Amazônia

Publicada em 03-09-2008


Além de causar fortes impactos ambientais, a expansão da soja no Estado do Pará está contribuindo para a proliferação de outros conflitos sociais. Em algumas áreas, a cultura fez recrudescer a violência, a disputa pela posse da terra e a extinção de comunidades. As terras indígenas também estão ameaçadas.

A série de conflitos engloba ainda queimadas, expulsão de famílias, ameaça de morte, intimidação às lideranças e grilagem de terras.

O cenário acima é descrito em um relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de Santarém (PA).  Desde 2005, a CPT acompanha a expansão da cultura da soja no Pará. Constatou-se ao longo desses anos que, somados aos impactos ambientais, diversos conflitos sociais se sucederam em conseqüência de sua implantação na região.

O documento traz um histórico de algumas famílias das áreas do município de Prainha, da Gleba Nova Olinda e do Planalto, todas situadas no pólo de Santarém (PA). Essas famílias estão sendo ameaçadas de expulsão pelos produtores vindos de outras regiões. As populações tradicionais, por sua vez, estão “espremidas” em seus territórios serem “espremidos” pela ação desses forasteiros.

Atentados à bala

A omissão dos governos (do Pará e federal) deixa a situação ainda mais tensa e os índios apavorados. Eles temem perder suas terras. Odair Borari, segundo cacique da aldeia Novo Lugar, situada na Gleba Nova Olinda, sofreu dois atentados por denunciar às autoridades públicas a presença de grileiros nas terras indígenas onde vive seu povo. Na região do Planalto, nove comunidades locais desapareceram e 31 tiveram sua população reduzida por causa da chegada da soja à região.

Segundo o relatório da CPT, os produtores de soja tomaram o controle dos acessos comunitários na região, criando dificuldade na locomoção e no escoamento da produção dos camponeses. Estradas até então comunitárias, passaram a ter portões ou placas indicando propriedade particular e impedindo a passagem.

Igarapés e moradores são contaminados por produtos químicos aplicados na plantação. As crianças são as mais afetadas. Nos dias em que o veneno é aplicado na lavoura as aulas acabam suspensas.

Propaganda Vantajosa

O baixo preço da terra e a vantajosa propaganda feita em torno da soja atraíram centenas de pessoas de outras regiões para o estado do Pará.  Esses novos habitantes chegaram ali com a promessa de lucro certo.

A CPT também denuncia a omissão das organizações não governamentais (ONGs) que atuam na região.  Eles se limitam a discutir as questões ambientais e deixam de lado os conflitos sociais, papel que a Comissão Pastoral da Terra assumiu.

Naquela região foi construído um porto graneleiro da multinacional Cargill. Até a presente data a empresa não cumpriu decisão da justiça de elaboração do Estudo de Impactos Ambientais (EIA) e Relatório de Impactos ao Meio Ambiente (RIMA).

CHICO ARAÚJO