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Soja e milho caem; trigo avança em agosto

Publicada em 01-09-2008


Os futuros de soja e milho encerraram mais um mês em baixa na bolsa de Chicago, mas, ao contrário do que ocorreu em julho, não foram acompanhados pelo trigo. A commodity manteve-se firme mesmo sob um cenário que incluiu quedas do preço do petróleo e expectativa de safra mundial recorde do cereal.

Segundo cálculos do Valor Data, na bolsa de Chicago, os contratos de segunda posição de entrega de trigo, normalmente os de maior liquidez, encerraram agosto com alta de 1,38%, para US$ 8,4323 por bushel. No ano, em contrapartida, as cotações acumulam baixa de 9,08%.

Ao não acompanhar o movimento de soja e milho, o trigo, então tido como excessivamente depreciado, ajustou-se para um preço "mais realista", avalia Elcio Bento, analista de trigo da Safras&Mercado. "Depois dos picos atingidos em março e abril, o mercado ajustou-se, mas a queda foi muito grande e o preço ficou fora da realidade", disse.

Historicamente, diz ele, o preço do trigo representa 62% do preço da soja e 150% da cotação do milho. Em julho, a média dos fechamentos dos contratos de segunda posição de trigo representou 54% da soja e 117% do milho.

O ajuste foi técnico, mesmo com a expectativa de produção recorde de trigo na safra 2007/08, que terminará em setembro, com a colheita das lavouras do hemisfério norte. A previsão é de que sejam colhidas 670 milhões de toneladas do cereal no mundo, acima das 611 milhões de toneladas da safra anterior e das 624 milhões de toneladas da safra 2004/05, quando foi estabelecido o recorde de produção da commodity no mundo.

Na soja, os contratos de segunda posição recuaram 14,03% em Chicago, para US$ 12,8149 por bushel, na média. agosto foi marcado por um relativo descolamento entre as cotações externas e o preço do grão no mercado interno, segundo Renato Sayeg, da Tetras Corretora. "Ess movimento foi a vitrine do mês na soja", diz ele. Em Rondonópolis (MT), o preço da saca de 60 quilos caiu 1,13% no período, recuo bem inferior aos cerca de 5% de recuo entre o preço final de julho e o de agosto.

Soja e milho foram norteadas em agosto pela expectativa de melhora das lavouras americanas e também pelo desempenho do petróleo no mês. Os contratos de segunda posição de milho caíram 13,50%, para US$ 5,6873 o bushel, na média, segundo o Valor Data. "Alguns analistas achavam que a influência do petróleo no segundo semestre diminuiria, mas ela não deve cair. Para 2009, deve até aumentar", diz Sayeg.

Na bolsa de Nova York, onde são negociadas as chamadas "soft commodities", apenas o açúcar encerrou agosto com valorização. A forte volatilidade do petróleo no período e a desvalorização do dólar em comparação com outras moedas foram os principais fundamentos das commodities negociadas nessa bolsa, segundo analistas ouvidos pelo Valor.

No mês, os contratos futuros de segunda posição de açúcar subiram 2,55%. A valorização reflete o cenário global mais equilibrado para 2009, com a redução da produção da Índia e maior disponibilidade da cana no Brasil para industrializar álcool. "As perspectivas são de que as cotações continuam firmes no curto e médio prazos", disse Márcio Bernardo, da Newedge Corretora.

O suco de laranja foi o produto que mais caiu em Nova York. Os contratos de segunda posição recuaram 14,27% no mês. O comportamento dos preços ficou atrelado à ameaça de onda de furacões e tempestades tropicais sobre as regiões produtoras da Flórida. Os danos, porém, não se efetivaram.

Para o algodão, o furacão Gustav, que ameaçou a Flórida, também chegou a ser um risco quando as projeções indicavam sua passagem pelo Texas, mas os preços voltaram a ceder quando esses riscos diminuíram. Segundo Fernando Martins, da Newedge, o avanço de outras culturas, como grãos, sobre as lavouras da pluma nos EUA deu suporte ao produto durante alguns pregões de agosto. No mês, os contratos de segunda posição fecharam em baixa de 4,76%.

A ausência de vendas de café do Brasil ajudou a evitar uma maior queda dos preços futuros do produto em agosto, segundo Márcio Bernardo, da Newedge Corretora. As cotações ficaram praticamente no zero a zero no mês. "Os produtores estão segurando as vendas porque acreditam em futuras valorizações", disse. A tendência é que a cotação do grão caia durante o verão nos países do hemisfério norte, que consomem pouco café no período. No mês, os contratos de segunda posição recuaram apenas 0,05%.

Os fundamentos foram altistas para o cacau no mês de agosto por conta da ameaça do fungo "mancha negra" sobre as lavouras dos países da África, os maiores produtores globais da amêndoa. A queda generalizada das commodities agrícolas no mês passado também influenciou o cacau. No mês, os contratos de segunda posição caíram 4,92%.

Valor Econômico