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Soja cai e inflação tem maior desaceleração desde 2003, diz FGV

Publicada em 19-08-2008


A queda do preço da soja foi o principal fator para a forte desaceleração registrada pela inflação medida pelo IGP-10 em agosto, que caiu de 2% para 0,38%. Foi a maior redução percentual desde janeiro de 2003, quando o IGP-10 havia desacelerado 2,58 p.p. (pontos percentuais). Somente a soja foi responsável por 0,62 p.p da desaceleração constatada em agosto.

Para o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Salomão Quadros, tamanha redução da taxa é atípica, mas demonstra que "o pior da inflação já passou". Mas ele alerta que a escalada de preços pode voltar, já que as questões centrais que vinham determinando a alta dos preços não estão completamente equacionadas.

"Temos uma inflação internacional. Não sei se ela permanecerá nesse patamar, principalmente pelos produtos agrícolas, que estão instáveis. As condições que geraram a subida dos preços não desapareceram, mas é muito provável que a inflação fique mais próxima do patamar de agosto do que dos níveis que vinham sendo constatados", afirmou.

O IGP-10 é calculado com base nos preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Quadros usou como exemplo a própria soja, que teve influência decisiva no IGP-10 de agosto. Ele lembrou que o mercado continua "apertado", ou seja, a oferta ainda está pressionada pela demanda.

O economista explicou que a soja, que teve queda de 6,51% em agosto, depois de alta de 12,88% no mês anterior, está retornando a patamares anteriores às chuvas que afetaram plantações nos Estados Unidos. "A soja está devolvendo a subida dos últimos meses, desde que ficou claro que não havia risco de perda de safra", acrescentou.

Salomão Quadros disse ainda que a queda da inflação foi generalizada entre os produtos pesquisados, principalmente entre os agrícolas no atacado.

O tomate, por exemplo, caiu 12,66% após alta de 2,64% em julho. Movimento parecido tiveram o milho --queda de 3,73% após alta de 6,93%-- e o trigo --redução de 10,88%, ante queda de 3,60% em julho. Também foi verificada queda nos preços do feijão (-7,90%, ante alta de 7,60% em julho), batata-inglesa (-6,06%, ante alta de 1,82% em julho) e da carne bovina (-0,32%, ante alta de 12,36% em julho).

O movimento no atacado está chegando rapidamente ao consumidor, ressaltou Quadros. Os alimentos desaceleraram de 1,56% para 0,13% em agosto, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que variou 0,36%. O economista estima que, no curto prazo, essa desaceleração para o consumidor deve continuar.

"Mas não devemos achar que a situação está tranqüila, já que os problemas de oferta permanecem. Mas não há novas pressões se formando no momento", observou.

Folha Online