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Impacto pode ser menor

Publicada em 18-08-2008


O estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, elaborado pela Universidade de Campinas (Unicamp) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), traça perspectivas sombrias do aquecimento global para todo o país. Para Mato Grosso, no entanto, o impacto deverá ser menor do que no resto do Brasil. Considerado privilegiado pelo volume de água no solo e por já ter temperaturas mais elevadas em relação ao outros estados, Mato Grosso deverá apresentar menor redução da área plantada, terá área favoráveis à cana-de-açúcar, e, somente começará a sentir os impactos da elevação das temperaturas quando os termômetros avançarem mais 3º graus Celsius (C).

O estudo, apresentado na semana passada durante o 7º Congresso Brasileiro de Agribusiness, no WTC, em São Paulo, ratifica o aumento da temperatura no planeta – o chamado aquecimento global - e prevê redução da produção agrícola nas próximas décadas.

De acordo com a pesquisa, se a temperatura subir 1ºC, Mato Grosso perderá 5% da sua área atual de plantação de soja. Se chegar a 3ºC, a perda será de 29% da área atual. E, na possibilidade mais alarmante, (aumento de 5,8ºC), o Estado ficaria sem 63% da área plantada de soja.

A informação surgiu após a conclusão de uma pesquisa sobre as conseqüências do aquecimento global para nove culturas agrícolas, consideradas as mais importantes para o agronegócio brasileiro, realizada por pesquisadores da Embrapa Informática Agropecuária e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp/SP.

O professor e diretor associado do Cepagri, Hilton Silveira Pinto, explicou que a pesquisa teve como metodologia a simulação das temperaturas previstas e, em cima disso, os especialistas refizeram todos os cálculos de risco de cultivo. Para ele, os produtores mato-grossenses levam a vantagem de não terem problemas de abastecimento de água no Estado.

Segundo Silveira Pinto, existe uma suscetibilidade da soja para a seca. No Centro-Oeste, a temperatura também não deve subir tanto quanto nos lugares frios, além de ter chuva suficiente para viabilizar a agricultura, o que não ocorrerá na região Sul.

Na avaliação do professor da Unicamp, Mato Grosso ainda terá áreas muito favoráveis à plantação de cana-de-açúcar, porque a planta suportará o calor e aproveitará o excesso de gás carbônico. Em outras culturas, como o milho, os danos do aumento da temperatura não terão grande peso, algo em torno de 11% a 12% quando chegar ao patamar mais elevado porque os grãos são menos sensíveis ao calor.

ARROZ - No caso do arroz, o acréscimo de apenas 1 grau na temperatura do planeta faria com que a área cultivável, com plantio em data adequada, caísse de 4,8 mil hectares para 4,6 mil hectares. No pior dos cenários considerados, com 5,8 graus a mais, a área seria reduzida para 300 mil hectares. Em relação ao feijão, milho e soja, os resultados obtidos pelo estudo não foram muito diferentes.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Informática e coordenador da pesquisa, Eduardo Assad, com a temperatura alcançando o limite máximo tomado para análise, as áreas aptas para a produção dessas culturas ficariam drasticamente reduzidas. "Isso seria uma tragédia para o país, pois traria importantes impactos econômicos e sociais", alerta o pesquisador.

COMPROVAÇÃO - O objetivo foi mensurar o impacto das mudanças climáticas trazidas pelo aumento de temperaturas sobre as culturas da soja, algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca e milho, que juntas correspondem a 86,17% do total da área plantada no país.

Com a pesquisa, os especialistas traçaram o cenário das áreas de cultivo quando a temperatura média da Terra estiver acima do que é hoje, situação esperada num prazo de 50 a 100 anos.

DIÁRIO DE CUIABÁ