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Empresas anunciam lucros milionários com fertilizantes

Publicada em 28-07-2008


Os preços dos fertilizantes que subiram a ponto de ameaçar a viabidade da produção agrícola de grãos estão contribuindo para inchar os lucros da maioria das empresas do setor. A Bunge Ltd., a maior processadora mundial de oleaginosas, disse que seu lucro quadruplicou no segundo trimestre deste ano, num momento em que os preços recorde dos produtos agrícolas elevaram a demanda por fertilizantes para lavouras e manejo de grãos.


Outro resultado positivo foi anunciado pela Potash Corp. of Saskatchewan Inc., a maior fabricante mundial de fertilizantes por valor de mercado. Segundo a empresa, seus os lucros do segundo trimestre mais que triplicaram, para um valor recorde, uma vez que a expansão da demanda mundial por produtos agrícolas elevou os preços dos fertilizantes.


O impacto no custo das lavouras também levou o governo a se mobilizar para estimular a produção doméstica de fertilizantes. Espera, com isso, reduzir a dependência brasileira da produção dos principais fornecedores de matérias-primas essenciais à produção dos adubos necessários para garantir a produtividade da produção nacional. Entre os convocados para participar desse esforço estão a Petrobras e a Cia. Vale do Rio Doce.


Bunge


O lucro líquido da Bunge aumentou para US$ 751 milhões, ou US$ 5,45 por ação, a partir dos US$ 168 milhões, ou US$ 1,30 por ação, do mesmo período de 2007, disse a empresa, sediada em White Plains, Nova York. As vendas avançaram 73%, para US$ 14,4 bilhões.


Alberto Weisser, principal executivo da Bunge, está promovendo a aquisição da Corn Products International Inc. por US$ 3,97 bilhões para incorporar os adoçantes usados em refrigerantes e alimentos processados.


O negócio deve ser fechado no quarto trimestre deste ano, disse a empresa no comunicado de hoje. A Bunge também elevou sua estimativa de lucro para 2008 pela terceira vez, num momento em que os preços recorde do milho, do trigo e da soja levam os agricultores a pagar mais por fertilizantes e manejo de grãos.


Atualmente a empresa prevê que seu lucro para o ano como um todo ficará entre US$ 11,60 e US$ 11,90 por ação, em relação à previsão anterior de US$ 9,35 a US$ 9,65 por ação, disse no comunicado Jacqualyn Fouse, diretora financeira da empresa.


"Será um trimestre forte para todas o setor", disse Christina McGlone, analista do Deutsche Bank Securities Inc., a partir de Greenwich, Connecticut.


Ganho triplicado


O lucro líquido da Potash aumentou para US$ 905,1 milhões, ou US$ 2,82 por ação, em relação aos US$ 285,7 milhões, ou US$ 0,88 por ação, do mesmo período do ano passado, disse hoje a Potash, sediada na província canadense de Saskatchewan, em comunicado divulgado hoje. As vendas de potassa, de fosfatos e de fertilizantes nitrogenados pela empresa dispararam 94 por cento, para US$ 2,62 bilhões.


 O principal executivo da empresa, William J. Doyle, está aumentando a produção de potassa, uma forma de potássio, com o aumento da demanda por grãos para alimentar animais de criação e para produzir biocombustíveis. Os agricultores estão pagando mais por fertilizantes para aumentar a produtividade em meio aos preços recorde obtidos este ano por milho, soja, arroz e trigo.


 "A perspectiva para os fertilizantes continua ótima, embora dependa da continuidade dos recordes históricos do milho, da soja e do trigo'''' disse Ben Johnson, analista setorial sênior da Morningstar Inc., em entrevista concedida por telefone a partir de Chicago.
A empresa prevê um lucro de US$ 3,25 a US$ 3,75 por ação para o trimestre atual e de US$ 12 a US$ 13 por ação para o ano como um todo. A média das estimativas dos analistas captadas por sondagem da Bloomberg foi de US$ 3,31 no terceiro trimestre e de US$ 11,71 por ação em 2008.


 "Estamos vivenciando um sólido crescimento da demanda e estamos aproveitando o valor mais elevado dos preços de todos os três nutrientes, principalmente da potassa", disse Doyle no comunicado.


 Fonte: Gazeta Mercantil