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Restrição prejudicará agricultura em Mato Grosso

Publicada em 21-07-2008


Boa parte dos municípios de Mato Grosso vai fazer a safra 2008/09 pagando juros maiores e utilizando menos tecnologia. O resultado disso deve ser redução do ganho do produtor e também da produtividade da lavoura. Esses são os principais problemas apontados pelo presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antonio Galvan, como consequência da restrição de crédito para as cidades que são consideradas como pertencentes ao bioma amazônico.


De acordo com Galvan, devem também ficar áreas sem plantio, por conta do endividamento do produtor, que não vai ter como buscar financiamento de maneira alguma. Mas ainda não há como prever de quanto deve ser essa redução de área plantada. A principal preocupação, no entanto, está na baixa tecnologia, limitada pela falta de recursos. "O agricultor vai plantar, de qualquer forma, mas como juros maiores e tecnologia menor, o que pode afetar a média de produtividade".


O presidente do sindicato explica que, sem poder acessar os recursos do governo, com juros controlados, para financiar a safra, o produtor está sendo obrigado a buscar dinheiro nas empresas privadas. A situação é difícil, segundo ele, porque depois de atravessar um período de crise no setor, quando os preços de venda começam a melhorar, o produtor perde o direito de ter crédito mais barato, o que poderia melhorar a renda da atividade.


Quando Galvan fala em menos tecnologia, ele se refere à utilização de fertilizantes. Ele frisa que a situação é tão grave que alguns produtores devem plantar até mesmo sem fertilizantes. Conforme o presidente do sindicato, os fertilizantes encareceram muito e se tornaram os vilões do custo de produção.


Uma solução para ter o produto seria por meio das tradings, mas com a grande alta, os recursos que as empresas privadas haviam reservado para comprar o fertilizante e negociar com os produtores em troca da safra não foi suficiente para comprar a mesma quantidade de produto que no plantio passado. Significa que com o mesmo montante do ano passado, as tradings compraram menor quantidade de fertilizantes e poderão financiar uma parte menor da safra.


Galvan explica ainda que, sem garantir o fertilizante por meio das tradings, o produtor só consegue comprar o produto à vista, e não há dinheiro para isso. Ele frisa que a tonelada de fertilizantes que foi comprada por US$ 350 em 2007 chegou a US$ 900 este ano. A situação prejudica mais os pequenos e médios produtores, porque os grandes conseguem captar recursos em outras fontes. "A aproximadamente 75 dias do início do plantio da safra 08/09 muitos produtores estão indecisos, sem saber onde buscar recursos".


Fonte: A Gazeta