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Brasil deve perder status de maior importador de trigo

Publicada em 11-07-2008


O Brasil deverá perder na temporada 2008/09 a condição de maior importador mundial de trigo, devido a uma maior produção do País, cuja colheita começa entre o final de agosto e início de setembro, de acordo com fontes do mercado.

Mas, alguns alertam que parte da safra ainda está suscetível a eventuais perdas climáticas, como geadas, que poderiam reduzir as estimativas da colheita brasileira.

A safra nacional 2008/09 (agosto/julho) está estimada em 5,2 milhões de toneladas, aumento expressivo em relação a 2007/08, quando o país produziu 3,8 milhões de toneladas - com os preços melhores neste ano, os produtores ampliaram a área em mais de 25%, para 2,3 milhões de hectares.

"Provavelmente, o Brasil não será o maior importador do mundo como em alguns anos. Mas, a safra ainda está no campo, ainda está sob risco, vai se confirmar dependendo do clima", afirmou o pesquisador José Roberto Canziani, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Estado que é o maior produtor brasileiro de trigo.

Produzindo as cerca de 5,2 milhões de toneladas, o Brasil teria que importar em 08/09 para atender o seu consumo anual cerca de 5,7 milhões de toneladas - sendo 4,7 milhões de toneladas de trigo em grão e o restante equivalente em farinha de trigo.

As importações de farinha de trigo devem ter origem, em sua grande maioria, na Argentina, segundo o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Magno Rabelo.

O Brasil estabeleceu o seu recorde de importação de trigo na temporada 2006/07, comprando no exterior 7,8 milhões de toneladas (sendo 7,2 milhões de toneladas do produto em grão), quando a safra foi dizimada por geadas e secas e o País produziu apenas 2,2 milhões de toneladas. Em 07/08, as importações totais estão estimadas em 6,9 milhões.

Rabelo confia que a safra 08/09 será de mais de 5 milhões, e assim o Brasil cederia o seu posto de maior importador provavelmente para o Egito, que importou 6,5 milhões de toneladas em 2007/08 (julho/junho), e mantém praticamente estáveis essas compras externas ao longo dos anos.

Outro candidato a superar o Brasil em importações de trigo em grão seria o Irã, que deverá importar mais de 5 milhões de toneladas no ano comercial 2008/09, segundo informou uma autoridade iraniana recentemente, atribuindo o aumento nas importações neste ano a uma forte seca registrada no país.

Preços mais baixos
Se o Brasil importará menos trigo em 08/09, muito provavelmente fará também importações a valores mais baixos, considerando que o mundo produzirá uma safra abudante.

Na temporada 07/08, o Brasil, além de pagar mais pelo trigo importado, com os preços batendo recordes, ainda enfrentou restrições nas exportações do grão do seu principal fornecedor, a Argentina, o que levou o governo a reduzir provisoriamente tarifas para compras fora do Mercosul.

Esse movimento de queda nos preços já está sendo sentido, observou o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, lembrando que o Brasil chegou a importar trigo, no pico das cotações, a bem mais de US$ 500 (FOB) por tonelada em 07/08. Hoje o produto está sendo negocido em torno de US$ 340/tonelada.

Pih também acredita que os moinhos argentinos, que têm exportado cada vez mais farinha para o Brasil, deverão perder competitividade, com essa mudança no mercado. Além disso, lembrou, o câmbio argentino não está tão favorável como antes.

Outro fator que leva o industrial a apostar em preços mais baixos na Argentina tem relação com os recentes protestos agropecuários no país e as regras do governo que travam as exportações.

"Com as greves e promessas de vender trigo ao Brasil não cumpridas, não só o Brasil como outros países estão perdendo um pouco a confiança na Argentina. É provável que o mercado mundial exija um desconto no produto argentino", destacou.

Fonte: Reuters