Notícias


Mato Grosso será o maior produtor do país em até 8 anos, prevê Conab

Publicada em 10-07-2008


Mato Grosso será o maior produtor de grãos do país até 2016. A projeção é do gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eledon Oliveira, ao avaliar que o Estado tem um diferencial se comparado a outras unidades da federação: quantidade de áreas agricultáveis.

Com esta vantagem Mato Grosso ocupará o topo do ranking nacional entre cinco e oito anos. Além de aproveitar as áreas já existentes e que estão paradas em consequência da crise que assolou o agronegócio dois anos atrás, os produtores podem também abrir novas terras, deste que tenham a autorização dos órgãos responsáveis.

Na safra 2007/2008, o Estado é responsável pela produção de 27,371 milhões de toneladas de grãos, o que corresponde a 55,4% do total produzido na região Centro-Oeste e 19,2% do volume do país, calculado em 142,424 milhões (t).

A produção mato-grossense está atrás apenas do Paraná, onde estão sendo cultivados 30,265 milhões (t), no ano agrícola atual, o equivalente a 21,2% do total produzido no território nacional, e a 51,1% do volume da região Sul brasileira. Os dados são do 10º Levantamento da Safra de grãos, divulgados esta semana pela estatal.

No estudo da Conab, que tomou como base a evolução da produção agrícola (quantidade produzida e área cultivada), nas últimas cinco safras, Mato Grosso apresenta um incremento de 26% na produção, passando de 21,711 milhões (t), na safra 2003/2004 para 27,371 milhões (t), na atual.

Apesar do aumento significativo no volume de grãos produzidos, a área não cresceu na mesma proporção. Na safra atual estão sendo cultivados 8,506 milhões de hectares, 12,8% a mais que os 7,538 milhões (ha) contabilizados na safra 2003/2004.

Neste mesmo intervalo, porém, o Paraná, atual líder no ranking nacional de produção de grãos, registrou alta de 17,6% na produção, passando de 25,714 milhões (t) há cinco anos para 30,265 milhões (t), atualmente e a área teve queda neste período, baixando 8,538 milhões (ha) na safra 2003/2004 para 8,538 milhões (ha), na 2007/2008, recuo de 1,07%.

"Mato Grosso será o líder na produção nacional. Isso porque é o único entre os maiores produtores do país que tem fronteira agrícola para expandir a produção, além de ter tecnologia disponível para aumentar a produtividade", diz Oliveira ao observar que, o Paraná tem está em uma situação contrária. Se quiser aumentar a produção de soja, à qual, Mato Grosso já é líder no território nacional, terá que plantar em detrimento do milho, e vice-versa.

Assim, o Estado da região Centro-Oeste tem grandes chances de aumentar a produção, tanto do milho quanto da soja, e se tornar ainda mais competitivo.

Alerta - O gerente alerta, contudo, que o poder público tem que investir em infra-estrutura, sobretudo em estradas e armazéns para estocar a produção.

"A desvantagem de Mato Grosso está na questão da distância até os portos para exportação. Por isso o governo estadual tem que investir em modais para escoar a produção, principalmente estradas, o que refletirá em queda nos custos para os produtores", diz ao acrescentar que para aumentar a produtividade, os produtor deve associar tecnologia (sementes mais resistentes à pragas) e manejo da lavoura.

Industrialização - Outro fator que tem contribuído e será um dos principais propulsores do agronegócio mato-grossense é a industrialização dos grãos produzidos no Estado.

A constatação é do economista Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo, especialista em Economia Agrícola. Ele diz que o fato de Mato Grosso estar na segunda colocação na lista dos maiores produtores no país têm atraído grandes indústrias para a região, verticalizando a produção e agregando aos grãos cultivados nas propriedades locais.

"É uma tendência a vinda de empresas que transformam o milho e a soja e ração. E por sua vez, outras empresas que criam animais como suínos e aves, pela proximidade dos insumos para a produção, ou seja, a alimentação dos bichos".

Ele considera que, mesmo que Mato Grosso não tenha evoluído significativamente quando se compara a quantidade de área destinada à agricultura nos últimos cinco anos, em um futuro próximo também não haverá necessidade de abrir novas terras, pois o Estado tem áreas já abertas e que estão desativadas.

Neste caso, Figueiredo diz que a alternativa é usar a integração agricultura/pecuária, onde em uma propriedade, o produtor poderá, por exemplo, plantar capim (capim para recuperar a qualidade do solo) e criar gado e depois, com a rotação de cultura plantar grãos como soja e milho.

"Esta tecnologia está sendo testada e vem apresentando resultados satisfatórios e em pouco tempo deve ser implementada em muitas fazendas que tinham áreas degradadas e que não estavam sendo utilizadas", diz considerando que a produção de alimentos estará assegurada e o melhor, de forma sustentável, exigência cada vez maior no mercado internacional.

Fonte: A Gazeta