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Preços de milho e soja batem novos recordes

Publicada em 27-06-2008


As chuvas em regiões produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos e as turbulências na economia daquele país voltaram a impulsionar os preços das principais commodities agrícolas na quinta-feira na bolsa de Chicago.

Os contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) de milho e soja atingiram novas máximas históricas, e os do trigo continuaram a recuperar as perdas dos últimos meses.

No caso do milho, os papéis para setembro subiram 23,75 centavos de dólar (3,19%) e fecharam a US$ 7,6825 por bushel. No mês, a alta chega a 25,43%, segundo o Valor Data. Nos últimos 12 meses, o salto é de 109,33%.

O bushel da soja para entrega em agosto encerrou a sessão a US$ 15,7425, alta de 34,25 cents (2,22%), e passou a acumular valorizações de 29,65% em 2008 e de 93,10% em doze meses. O bushel do trigo para o mês de setembro fechou a US$ 9,4275, 22,50 cents (2,44%) mais que na véspera. Em junho o ganho é de 21,55%; em doze meses, alcança 50,60%.

No Meio-Oeste, o problema continua concentrado em Iowa, maior Estado americano produtor de grãos. Inundações causaram sérios danos à produção e logística locais na primeira metade de junho, e as chuvas voltaram a ganhar intensidade, alimentando preocupações.

No Fed, o banco central dos EUA, o problema é a inflação. Muitos traders não acreditam que as medidas anunciadas até agora serão suficientes para debelar a crise, o que teoricamente mantém as commodities como um porto seguro para investimentos.

Mesmo cauteloso em relação aos prejuízos de Iowa, o conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) começou a ajustar suas projeções para a safra 2008/09 (em desenvolvimento no Hemisfério Norte) levando em consideração o problema. No total, o IGC passou a prever produção 1,711 bilhão de toneladas de grãos no mundo na temporada, 1 milhão a menos que o previsto no mês passado mas ainda 25 milhões a mais que em 2007/08.

Para o trigo, o conselho agora estima colheita global de 658 milhões de toneladas, 8 milhões acima do projetado em maio e 50 milhões superior ao registrado em 2007/08. No caso do milho, contudo, a nova previsão é 7 milhões de toneladas menor que a de maio e 30 milhões inferior ao total registrado no ciclo anterior.

Para os estoques mundial de grãos, o IGC elevou sua estimativa para 2008//09 em 12 milhões de toneladas, para 274 milhões - mesmo patamar de 2007/08 graças ao milho, cujos estoques mundiais tendem a aumentar em 122 milhões de toneladas.

No caso dos cinco maiores exportadores mundiais, rol que inclui o Brasil, a correção dos estoques foi para baixo. A comissão passou a trabalhar com 77 milhões de toneladas, ante as 82 milhões previstas em maio e as 86 milhões da temporada passada.

Fonte: Valor Econômico