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Crise argentina

Publicada em 29-04-2008


Setor agrário e governo tentam evitar paralisação

BUENOS AIRES - O governo e os produtores rurais argentinos tentam deixar suas diferenças para trás na terça-feira, apesar da negociação não ter avançado em um reunião secreta feita na segunda à noite, o que mantém a ameaça dos produtores de retomar a paralisação em 72 horas.

Depois da ampla paralisação comercial em março que deixou o país à beira do desabastecimento de alimentos e de uma crise política, o setor ofereceu no dia 2 de abril uma trégua de 30 dias para negociar benefícios para o campo.

Mas, diante da falta de soluções para o conflito, na quinta-feira passada o ministro da Economia argentino, Martín Lousteau, renunciou. Ele foi a principal figura por trás das modificações sobre as exportações agrícolas que impulsionaram o conflito.

Com a saída de Lousteau, funcionários e representantes do campo aceleraram as reuniões nesta semana, a fim de evitar que o setor volte a protestar. Na noite de segunda-feira, houve um diálogo em um lugar secreto, sendo que poucos detalhes chegaram à imprensa.

No entanto, alguns diretores das associações agropecuárias disseram que estão sendo negociadas mudanças nos impostos às exportações de grãos e derivados.

"Estamos falando dos impostos", explicou à televisão argentina Jorge Srodek, secretário da Carbap, entidade relacionada a uma das quatro associações que lançaram a paralisação.

"Na verdade, não tem nada resolvido, isso está sendo negociado muito discretamente para não levantar falsas expectativas", disse Srodek, acrescentando que eles também conversam sobre problemas nos mercados de trigo e carne.

A Argentina é um dos maiores exportadores mundiais de grãos, derivados e carnes.

A principal queixa do setor é a alta nas taxas às exportações de soja e girassol, e limita os lucros quando o preço dos grãos aumenta nos mercados internacionais.

Com o imposto, o governo pretende impedir que os altos preços do mercado externo transbordem para o interno e prejudiquem a população pobre.

Fonte: O Globo Online