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Prato feito

Publicada em 25-04-2008


Batata e milho são opções para driblar a alta do arroz com feijão

Elisa Campos - Diário de S. Paulo
Gustavo Fernandes e Letícia Viera - Extra
O Globo Online


RIO E SÃO PAULO - O mais tradicional prato brasileiro tem sido vítima de um inimigo feroz: o aumento de preços. Somente nos últimos 30 dias, o arroz acumula alta de 15% nos supermercados, segundo estimativa da Associação Paulista de Supermercados (APAS). Já o feijão ficou 168,44% mais caro nos últimos 12 meses.

No Rio de Janeiro, a procura por arroz na Bolsa de Gêneros Alimentícios (BGA-RJ) aumentou em 50% desde o início de abril até agora , o que já elevou o preço do fardo de 30 kg do grão em 48%, da faixa de R$ 35 a R$ 44 no meio do mês e esta semana a R$ 52, sem incluir o frete, que custa pelo menos R$ 3.

Para fugir da escalada, o consumidor pode procurar alimentos para substituir o arroz e feijão de todo o dia. A batata é uma das alternativas mais comuns e baratas. O quilo do tubérculo está na casa de R$ 1,75 nos supermercados. Já a mesma quantidade de arroz e feijão custam, respectivamente, por volta de R$ 1,80 e R$ 5,40. O milho também pode ser um bom substituto. Quatro espigas saem por R$ 2,59, ou R$ 0,65 a unidade.

Aumento já provocou a queda de 5% no consumo
Nas alturas

O feijão tem sido o vilão da cesta básica desde o ano passado. Os problemas começaram no final do mês de agosto. O reflexo no bolso do consumidor foi pesado.

- Antes dos aumentos, o quilo do feijão carioca custava, em média, R$ 2. Atualmente, o preço fica na casa dos R$ 5, podendo chegar a R$ 7 para as marcas mais caras - conta Sandra Hetzel, proprietária da Unifeijão, consultoria especializada no mercado de feijão.

A alta ocorreu porque a remuneração para o produto andava pouco atrativa, desestimulando o plantio do feijão.

- O preço da saca estava em patamares muito baixos, o que fez com que a área plantada diminuísse. Além disso, as plantações sofreram com a seca prolongada do ano passado - analisa Sandra. Com menos produto no mercado, foi dada a largada para o encarecimento do produto.

O desinteresse dos produtores em investir em um produto considerado de baixo retorno também é o que explica o atual aumento do arroz.

- No mundo inteiro, houve a recuperação do preço dos alimentos. Agora isso está acontecendo com o arroz. Como o preço do alimento não subia, o interesse em plantá-lo diminuiu. Com menos produto no mercado, começou a alta - esclarece Mauricio Fischer, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). No Rio Grande do Sul, responsável por 60% da produção nacional, o custo da saca foi de R$ 22 para R$ 31 em 45 dias.

- Para o consumidor, o quilo, que poderia custar até R$ 0,80, chega até R$ 2 - diz Fischer.