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Agronegócio

Publicada em 24-04-2008


Brasil buscará produzir quase metade do consumo de trigo

O Brasil poderá produzir entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas de trigo em 2008, ou cerca de metade do consumo do país no ano, pois os principais Estados produtores deverão ampliar a área plantada, numa resposta aos preços internacionais elevados e à escassez no mercado interno, disseram especialistas.

"O mercado definiu que se plante toda a semente disponível. A recuperação de preços e as perspectivas não deixam nada a duvidar no sentido de realizarmos o plantio pleno", afirmou o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto.

O Rio Grande do Sul é o segundo produtor nacional, atrás do Paraná, onde a semeadura já começou. Os dois Estados respondem por aproximadamente 90% do trigo produzido no Brasil.

"O agricultor iria plantar mais milho safrinha, mas expirou o prazo para essa cultura. Ele está devolvendo a semente de milho e vai plantar o trigo a pleno vapor", disse a agrônoma da Secretaria de Agricultura do Paraná, Margorete Demarchi.

"O mercado está falando em 1 milhão de hectares", acrescentou Margorete.

O governo do Paraná estimou uma área plantada de 967 mil hectares para o trigo em 2008, contra 821 mil hectares em 2007, mas os especialistas já consideram um plantio de pelo menos 1 milhão de hectares. Essa área, apesar do crescimento esperado, é bem menor do que os paranaenses já semearam no passado - o Estado chegou a plantar 1,35 milhão de hectares em 2003/04.

"Com esse aumento de preço, acho que pode chegar a 1 milhão de hectares, pois temos sementes suficientes para isso", disse o diretor-executivo da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas, Eugênio Bohatch, referindo-se ao único fator visto como limitador do aumento de área.

Em condições climáticas normais, o Paraná produziria no mínimo 2,5 milhões de toneladas, contra 1,9 milhão na temporada anterior, enquanto o Rio Grande do Sul, colheria mais 2 milhões de toneladas, ante 1,5 milhão em 2007.

Questionado sobre as condições de mercado, o professor da Universidade Federal do Paraná, José Roberto Canziani, concordou com as expectativas de produção. "O trigo é uma cultura sensível ao clima, mas se for dentro do normal pode chegar nisso sim", disse ele, lembrando que o governo elevou o preço mínimo do trigo em 20% e também ampliou os limites de financiamentos, estímulos adicionais ao plantio.

Em meados de abril, o Ministério da Agricultura do Brasil afirmou ser possível o país produzir 4,75 milhões de toneladas de trigo neste ano, contra 3,8 milhões em 2007, com base na produtividade registrada na safra passada, o que reduziria a dependência do grão importado, cujos custos estão crescentes.

Além da escassez interna, o principal fornecedor brasileiro, a Argentina, mantém proibidas as exportações.

"O mercado de trigo é sempre assim. Vai importar menos se a produção for maior e vice-versa", disse Canziani.

Plantio vai bem

O plantio no principal Estado produtor do Brasil, o Paraná, começou em um ritmo mais lento, em função do atraso nas colheitas de verão, mas com as recentes chuvas generalizadas está ganhando força.

Estima-se que a semeadura no Estado já passou de 10% da área prevista, contra 19% na mesma época do ano passado, quando a área foi bem menor. "A semeadura feita na poeira germinou, e as lavouras estão boas", disse Canziani.

No Rio Grande do Sul, a semeadura ocorre mais tardiamente, em maio, enquanto Estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo praticamente já finalizaram os trabalhos de plantio.

Fonte: Reuters News