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Brasil ainda sem trigo argentino

Publicada em 24-04-2008


Com um milhão de toneladas importadas dos EUA e do Canadá, o abastecimento está garantido só até junho

Buenos Aires. Enquanto não resolver o conflito interno com o setor agropecuário, a Argentina não poderá exportar trigo para o Brasil. Essa foi a posição apresentada pelo governo argentino em reunião bilateral realizada hoje em Buenos Aires, em que o governo e empresários brasileiros pediram a volta das exportações de trigo, suspensas por tempo indeterminado.

O setor agropecuário argentino realizou um locaute de três semanas em março, devido ao aumento de impostos sobre as exportações de soja e girassol. Agora, campo e governo estão em uma rodada de negociações em que a exportação de trigo é um dos pontos de divergência.

O Brasil importa da Argentina cerca de 70% do trigo que consome. Diante da ameaça de desabastecimento e de alta nos preços dos derivados de trigo, como o pão, o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), Luiz Martins, que participou da reunião em Buenos Aires, afirmou que a única solução para o setor é pedir que o governo brasileiro libere mais importações, sem impostos de outros países.

Com um milhão de toneladas que já foram importadas dos EUA e do Canadá e que estariam chegando ao Brasil, o abastecimento de trigo está garantido até o final de junho. ´Para não aumentar o preço do pão, vamos pedir que o governo libere a importação de outras três milhões de toneladas´. Na quarta-feira da semana passada, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, havia afirmado que reclamaria a volta da regularidade nas exportações, alegando desabastecimento e inflação no Brasil. Representantes do governo e de empresas dos dois países vão se reunir novamente, na primeira quinzena de maio, no Brasil, para discutir o tema. A volta das exportações de trigo também é uma reclamação dos produtores argentinos.

EXPECTATIVA
Remessa pode adiar alta do pão e massas


Se o carregamento de 400 mil toneladas de trigo argentino aportar no Brasil, até o fim deste mês, o reajuste de 10%, previsto para o preço do pão carioquinha e de até 15% para massas, será adiado.

O anúncio do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que não há motivos para novos aumentos no pão francês ou em produtos à base de trigo, por conta da suspensão de exportações do produto pela Argentina, foi confirmada ontem, pelo presidente do Sindicato da Panificação e Confeitaria do Ceará (Sindpan), Ricardo Sales. ´Se o carregamento (de trigo) chegar, não haverá cenário que justifique novo reajuste nos preços da farinha e nem do pão´, afirmou Sales.

Além disso, explica o panificador, as safras de trigo nos Estados Unidos e no Brasil começam a ser colhidas em julho e agosto próximos, respectivamente; afastando para mais longe o risco de reajustes nos preço dos produtos à base do grão. Já o ministro informa que a crise no país vizinho já teve impacto, e o Brasil adotou todas as medidas que poderia ter tomado, como a redução a zero das tarifas de importação de outros países e o estímulo à produção interna de trigo.

´Não prevejo [novos aumentos], acho que o grande impacto já se deu´, afirmou ontem, Stephanes. Nos últimos 12 meses, até março, o preço do pãozinho subiu 30%, e a farinha de trigo, quase 35% para o consumidor cearense.

Somente este ano, os reajustes do pão e das massas somaram cerca de 20% e de 28%, respectivamente.

Fonte: Diário do Nordeste