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Milho: recordes de safra, preço e exportação

Publicada em 17-04-2008


Três recordes serão batidos neste ano em milho. O País colherá a maior segunda safra de sua história, avaliada em 17,5 milhões de toneladas e terá também a maior exportação do cereal já registrada até então: 12 milhões de toneladas, de acordo com analistas de mercado ouvidos pela Gazeta Mercantil.

Se confirmada a colheita da safrinha, a produção também terá a maior representação percentual em relação à safra total da história: 31% (no ano passado significou 28%). Um outro recorde pode ser batido também: o do preço.

Atualmente, o contrato de novembro na Bolsa de Valores & Futuros (BM&F) está próximo ao físico do mesmo período do ano passado: R$ 28 a saca (60 quilos) para R$ 30 a saca. Isso pode significar que os patamares, que em março eram os maiores desde 2005 no mercado interno, podem ser ainda maiores. Grande parte dos analistas consultados pelo jornal indicam que os valores do segundo semestre tendem a se manter elevados, apesar da colheita recorde. Segundo as empresas, o plantio da segunda safra de milho está encerrado mas, como quase 90% está em fase de germinação ou desenvolvimento vegetativo, os próximos 90 dias serão decisivos para a produção por causa das adversidades climáticas que podem ocorrer em um ano de La Niña, entre elas, possíveis geadas.

"Se houver problema nas colheitas dos Estados Unidos, Europa e China ou na safrinha, o preço sobe. Se estes mercados forem 'normais', o mercado estará, no mínimo, estável e o valor praticado no Brasil será balizado pela exportação", afirma Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado.

Para Leonardo Sologuren, sócio-diretor da Céleres, além de os contratos futuros indicarem preços mais altos no segundo semestre, uma "competição" pelo cereal por causa do mercado interno e externo já está clara, o que eleva naturalmente as cotações do grão. "E, se houver entrada do governo, mais ainda", conclui. O Coordenador Geral de Cereais e Culturas Anuais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Silvio Farnesi, diz que o governo deverá apenas intervir no mercado do Nordeste, pois os preços atuais estão acima dos mínimos de garantia. "Mas nada que vá derrubar o mercado", conclui.

Segundo ele, os estoques destinados àquela região estão acabando - são 60 mil toneladas na mão do governo - e, por isso, deverá ser adquirida quantidade suficiente para o abastecimento até julho. Após este período, com a entrada da colheita da safrinha, o ministério poderia realizar Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para levar o grão de Mato Grosso para o Nordeste. Sologuren lembra que os preços do mercado interno hoje estão muito próximos aos da paridade de exportação - diferente do que ocorreu no início do ano quando o milho para o País estava R$ 4 mais caro que para o exterior. "Isso pode estimular os contratos a partir de agora", acredita.

O diretor da Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, diz que o movimento que ocorreu no ano passado, com cotações maiores no segundo semestre, tende a se repetir. Assim como a procura dos europeus pelo milho brasileiro. Ele acredita que as exportações tendem a ganhar fôlego a partir de maio, antecipando-se ao o que ocorreu em 2007, que foram crescentes a partir do segundo semestre. De acordo com os dados da consultoria, de janeiro até o dia 10 deste mês o País havia embarcado 2,91 milhões de toneladas - frente a 1,4milhão no mesmo período do ano passado.

Menos otimista, Molinari acredita que a Europa só voltará a comprar - os embarques atuais foram contratados no ano passado - quando tiver a real dimensão de sua produção. No entanto, ele acredita que, se a safrinha se confirmar "gigante", o País tem potencial para embarcar 11 milhões de toneladas. "O tamanho da segunda safra vai definir quanto será a exportação", avalia Cogo. Segundo ele, a produção da segunda colheita do cereal só vai interferir no volume embarcado, mas não nos preços internos, pois o governo não tem estoque. Na sua avaliação, apesar das exportações maiores, não haverá desabastecimento. "Se houver risco, paga-se mais, acima da paridade exportação".

Assim como Sologuren, ele acredita em um movimento europeu grande porque os Estados Unidos reduziram a área do cereal e a Argentina estão com taxas sobre a exportação. "O mundo vai ter de buscar milho aqui", afirma o sócio-diretor da Céleres. Assim como os preços internos tendem a ficar mais altos no segundo semestre, os analistas também acreditam que os valores pagos para a exportação também sejam maiores neste período.

Atualmente a média é de US$ 248 a tonelada - com alta de US$ 32 por tonelada desde janeiro. No melhor período do ano passado, chegou a US$ 273 a tonelada, em dezembro - mas naquela época, o milho não estava próximo a US$ 6 o bushel em Chicago. Pelos cálculos da Cogo Consultoria Agroeconômica, a Europa precisará exportar, de diversos países, 11,5 milhões de toneladas neste ano - em 200 forma 7 7,1 milhões de toneladas. De acordo com as consultorias, a colheita da safra de verão ainda está atrasada - quase 10 pontos percentuais - com 58%.

Fonte : Gazeta Mercantil