Notícias


Bolívia ameaça estatizar fábricas de soja

Publicada em 17-04-2008


SÃO PAULO - O presidente da Bolívia Evo Morales ameaçou estatizar as esmagadoras do país se o preço do óleo de soja no mercado interno não baixar. Morales proibiu no mês passado a exportação de óleo comestível e agora acusa as esmagadoras de estarem suspendendo a produção para não ter de baixar os preços.

" Se não [baixarem os preços], vamos nacionalizar essas fábricas de óleo de soja. Não é possível que existam fábricas como essas para castigar o povo. O Estado subsidia a produção de soja. E, com esses subsídios, eles [os empresários] castigam o povo " , afirmou.

O governo pretende forçar a queda dos preços praticados na Bolívia para menos de 10 bolivianos (cerca de R$ 2,25) antes de liberar as exportações. Antes da suspensão das vendas para o exterior, o litro de óleo de soja na Bolívia chegou a 18 bolivianos. Segundo jornais bolivianos, ontem o litro podia ser encontrado a pouco mais de 11 bolivianos.

Estimativas do Ministério da Agricultura da Bolívia dão conta de que nos meses de janeiro e fevereiro o país exportou 366 mil toneladas de óleo de soja. Com as exportações suspensas desde meados de março, os fabricantes de óleo de soja, transportadores e comerciantes do produto afirmam que já contabilizam prejuízos acima de US$ 120 milhões.

Gabriel Dabdoub, presidente da Confederação de Empresários da Bolívia, disse que as esmagadoras estão parando suas linha de produção para não terem de operar com prejuízo. " Creio que em mais uma semana, a maior parte delas deve parar e dar férias coletivas a seus funcionários. No fim, os mais prejudicados serão os pequenos e médios produtores de soja, que vivem da colheita, os transportadores e os cidadãos que comercializam o óleo de soja " .

A produção de óleo é dominada por três companhias: uma controlada pela americana ADM; outra pelo grupo peruano Romero; e outra pelo grupo boliviano Marinkovic, presidido por Branko Marinkovic, um dos principais líderes da campanha de autonomia do Departamento de Santa Cruz.

" [O governo] está transformando o país em um novo Zimbábue " , criticou Marinkovic. O empresário boliviano de origem croata teve um carregamento de 26 mil litros de óleo de soja apreendido pela Alfândega, sob acusação de tentar furar a proibição de exportação e levar o produto para o Chile.

O conflito entre o governo e empresários de Santa Cruz e Cochabamba ganha maior tensão à medida que se aproximam os plebiscitos sobre maior autonomia, convocado pelos governadores de oposição para o mês que vem.

A proibição de exportação não atinge a soja em grãos, só o óleo. Atualmente, as esmagadoras usam cerca de 15% da soja boliviana para fazer óleo comestível.

Os principais mercados para o óleo de soja boliviano são os países da Comunidade Andina de Nações (CAN) - Colômbia, Peru e Equador -, além da Venezuela, que deixou recentemente a CAN, e o Chile, país com relações tumultuadas com a Bolívia. A soja é a principal commodity agrícola do país, o nono maior produtor mundial, colhendo 1,7 milhão de tonelada de soja anualmente. O Brasil produz 60 milhões de toneladas; a Argentina, cerca de 47 milhões; e o Paraguai, 3,5 milhões.

Fonte: Valor Econômico