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Preço da soja sobe, mas lucros não são proporcionais

Publicada em 16-04-2008


Responsável por 54,2% do montante total previsto para a renda bruta dos agricultores de Mato Grosso, a soja deve registrar um ganho (descontada a inflação) de R$ 10,771 bilhões este ano, um crescimento de 42,4% sobre os R$ 7,563 bilhões verificados em 2007. O principal motivo para a alta é o aumento no preço do produto, o que no entanto, não reflete proporcionalmente no ganho final do produtor do grão, que vendeu antecipadamente mais de 70% da produção da safra atual.

A análise é do presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Gláuber Silveira da Silva. Ele diz que do total vendido pelo produtor somente 5% retorna para ele como lucro líquido, cifra que o sojicultor tem de dividir entre o pagamento de dívidas, investimentos na safra futura (compra de insumos) e outras despesas.

Ele afirma que entre os gastos que o agricultor tem para um plantio agrícola estão a depreciação das máquinas, compra de insumos, pagamento de frete, entre outros. Silva diz que somente os fertilizantes tiveram aumento de 105% este ano, passando de US$ 340 no ano passado para US$ em 2008.

O presidente da Aprosoja informa que a dívida do Estado é de aproximadamente R$ 11 bilhões, sendo que em torno de 90% é da soja, o que significa dizer que toda a renda bruta estimada pelo Mapa somaria uma safra da oleaginosa. "E o governo não entende que não temos condições de pagar em pouco tempo, precisamos de mais prazo para a liquidação dos débitos".

Ao contrário da soja, a cana-de-açúcar foi o produto que teve menor percentual de elevação na renda. Em 2007 somou R$ 569,366 milhões e este ano deve crescer apenas 2,7%, totalizando R$ 584,772 milhões.

O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool), Jorge dos Santos, afirma que o desempenho é decorrente da "crise" que o setor passou no ano passado, quando os preços atingiram os menores valores. "Mas este ano estamos apostando em uma leve recuperação, a partir do preço do açúcar, que pode ajudar a diminuir o impacto no segmento".

Fonte: A Gazeta