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Combate à ferrugem asiática

Publicada em 15-04-2008


Depois de duas safras de desequilíbrio financeiro e duas de empate, os produtores de soja de Mato Grosso anunciaram ontem mais medida de segurança às lavouras, já visando à salvaguarda do ciclo 08/09. Em carta aberta, assinada pelo presidente da entidade, Glauber Silveira, a Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT) pede para que os sojicultores do Estado adiem a compra dos fungicidas utilizados no combate à ferrugem asiática.

A orientação chega em momento oportuno, já que praticamente 100% dos mais de 5,2 milhões de hectares cultivados com soja estão colhidos e partir de agora tem início o período de aquisição dos insumos agropecuários, aberto geralmente com a compra de adubos e fertilizantes. A motivação ao pedido está alicerçada em dados que a Aprosoja/MT colheu que dão margem ao questionamento da eficiência dos fungicidas utilizados pelos produtos nas lavouras estaduais.

Como o Diário já havia antecipado no início deste mês, as perdas dos produtores mato-grossenses com a doença - provocada por um fungo que ataca as folhas da soja e reduz a produtividade do grão – já alcançam a cifra de US$ 3,45 bilhões nas últimas cinco safras. Este número leva em conta a queda da produtividade (em torno de 10%) e os custos com a aplicação de fungicidas para controlar a doença. O montante dos prejuízos contabilizados por Mato Grosso corresponde a 30% dos números nacionais (US$ 11,5 bilhões), segundo informações da entidade.

Silveira conta no documento que a entidade realizou no último dia 10 de abril, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o I Seminário de Avaliação de Ferrugem Asiática - Safra 2007/2008 com o objetivo de debater e avaliar os produtos utilizados no combate ao fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem.

O evento “pioneiro contou com a presença de todos os setores da agricultura, Mapa, Embrapa, Indea, universidades, instituições de pesquisa, indústrias de defensivos, estudiosos em ferrugem, que apresentaram suas posições”, lembra trecho da carta.

Na carta aberta, Silveira argumenta que após considerações de todos os palestrantes ficou demonstrado que com as misturas de princípios ativos a base de estrobilurina + triazol os efeitos do controle dos fungos foi mais eficiente em comparação com a aplicação isolada dos fungicidas curativos do grupo dos triazóis, em especial o Tebuconazole, “contrariando, assim, recomendações de aplicação da indústria fabricante do produto”.

Solicitados a se manifestarem sobre as recomendações dos produtos, representantes da indústria, da Aprosoja/MT e da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV/MT) se comprometeram a promover no dia 22 um novo encontro, com o objetivo de elaborar uma cartilha explicativa para a safra 2008/2009, contendo alternativas e recomendações para o controle da ferrugem. “Pedimos para que se aguarde pelos resultados”, frisa Silveira. (Com assessoria)

Fonte: Diário de Cuiabá