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Alta do eucalipso em Minas

Publicada em 31-03-2008


A região Noroeste de Minas Gerais experimenta há quase três anos um ritmo de crescimento estimulado pela cultura do eucalipto. A atividade tornou-se a bola da vez em municípios como João Pinheiro, Brasilândia, Buritizeiro, Pintópolis e Lagoa Grande. Investidores de todos os portes e de várias regiões do país estão entusiasmados com o negócio. São 120 produtores na região, dos quais 71 ligados à Associação dos Produtores Florestais de João Pinheiro (APFJOP).

Os associados já plantaram uma área de 10 mil hectares e a procura pelo negócio é crescente. "Todos os dias faço uma média de três atendimentos a produtores interessados no cultivo do eucalipto", conta Frank James de Oliveira, técnico da Agência de Desenvolvimento de João Pinheiro (Adesjop).

O negócio deslanchou com um projeto lançado pelo Sebrae-MG há três anos. O objetivo do trabalho é impulsionar a economia local e ampliar as oportunidades de negócio para os pequenos produtores. "Quando começamos a atuar havia apenas dois produtores de eucalipto em João Pinheiro", lembra Rosely Maria Vaz, técnica do Sebrae-MG na região.

O projeto inclui visitas a unidades produtivas e disseminação de técnicas de plantio, manutenção das mudas e gestão do negócio. "Elaboramos e distribuímos cinco mil cartilhas sobre o cultivo do eucalipto. A meta este ano é imprimir mais três mil", completa Rosely.

O plantio do eucalipto começou em 2005 e o primeiro corte será em 2010. O aumento das lavouras estimulou novas frentes de negócio. Há dois anos o município de Lagoa Grande recebeu um viveiro com capacidade de produção de um milhão de mudas. Em 2007 foram plantados 250 mil pés de eucalipto e a meta para este ano é de 500 mil.

O número de produtores saltou de 20 para 70 no período e as lavouras de eucalipto já ocupam uma área de 19 mil hectares na cidade de 8,6 mil habitantes. "Fornecemos mudas para oito municípios da região e atendemos 90% da demanda", informa Ênio Campos, secretário municipal de Agropecuária e Meio Ambiente.

Em João Pinheiro, as lavouras de eucalipto geram trabalho para cerca de 1,2 mil trabalhadores. "O emprego aumentou, o preço da terra subiu e gira mais dinheiro no município", comenta Alberto Antonio da Silva, tesoureiro da APFJOP. A produção tem mercado garantido. "Só as siderúrgicas de Sete Lagoas, BH e Itaúna consomem 100% do que está sendo plantado", acrescenta Alberto.

Fomento

O cenário favorável à silvicultura na região noroeste atraiu entidades que atuam com o fomento florestal. Elas subsidiam os custos para o produtor, que tem uma despesa média de R$ 2,5 mil por hectare plantado do eucalipto. "O produtor tem um desconto de R$ 600,00 por hectare", informa Ricardo Vilela, diretor financeiro da Associação dos Produtores Florestais do Sudoeste de Minas Gerais (Apiflor). A entidade atende 15 produtores na região. Eles recebem projeto de reflorestamento, mudas, insumos e assistência técnica pós-plantio.

Com sede em Campo Belo, sul do Estado, a Apiflor trabalha com um orçamento anual de R$ 2 milhões. O recurso vem do IEF, que recolhe a taxa de reposição florestal de 10 indústrias siderúrgicas de Divinópolis, Itaúna e Sete Lagoas. A taxa é uma espécie de imposto pago por indústrias que consomem carvão ou lenha de mata nativa.

Segundo Vilela, produtores do sul de Minas estão investindo no Noroeste. A região se caracteriza pela topografia plana, terra arenosa e fraca. "São poucas as culturas que progridem na região, como o eucalipto, que se adaptou bem ao solo", destaca o executivo da Apiflor. Ele ressalta que o preço da terra no Noroeste é bem mais atrativo que no sul de Minas. "Com o mesmo investimento é possível adquirir uma área até 10 vezes maior na região".

O produtor Cleuton Oliveira Teodoro, de 38 anos, investe no eucalipto há dois anos. Já plantou 190 mil mudas em 125 hectares. "As perspectivas são as melhores. Vamos colher a partir de 2012 e temos mercado garantido para a madeira", conta. O plantio é feito uma vez por ano: ou em maio ou entre novembro e dezembro. Nesse período Teodoro diz empregar cerca de 40 pessoas. A manutenção da lavoura ocupa outros 20 pessoas.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa Sebrae-MG