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Mercado da Soja

Publicada em 28-03-2008


Multinacionais que atuam na Argentina estão vindo ao Brasil buscar produtos para cumprirem contratos de exportação. A greve dos produtores rurais entra hoje no 17º dia e os restaurantes e supermercados do país vizinho alertam para estoques baixos de produtos alimentícios, principalmente de carne. Traders informam ainda que os estoques de soja nos armazéns portuários já estão zerados.

Segundo informações da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) do Brasil há alguns navios que estão se deslocando dos portos argentinos para os brasileiros para carregamento de soja. Esse volume ainda não foi mensurado. O mercado acredita que tratam-se de fretes contratados de grandes multinacionais que atuam nos dois países. Esta semana, a Bunge, a maior esmagadora de sementes oleaginosas do mundo, anunciou que cancelou algumas vendas de suas unidades da Argentina e que vai procurar atender os clientes com produtos de outros países onde a empresa atua.

Segundo Sérgio Mendes, diretor da Anec, ainda não há, neste momento, um cenário formado no Brasil, nem sobre um possível aumento das exportações de derivados de soja, nem sobre a perda da vantagem da operação de "top-off" (carregamento conjunto de carga em navio). Essa operação é feita entre Brasil e Argentina em maior volume com soja e farelo e, em menor freqüência, com óleo de soja e é uma importante vantagem de frete para os dois países. "Não sabemos como será a negociação de contratos de frete. De qualquer forma, o impedimento é por motivo de ‘força maior‘, cláusula prevista em contrato", diz Mendes. Ele acredita que o movimento argentino não vai perdurar por muito tempo.

A crise na Argentina - que teoricamente pode comprometer a oferta de soja e reduzir ainda mais os estoques americanos do grão - foi deixada um pouco de lado ontem no mercado, que liquidou contratos de soja e fez as cotações da commodity caírem 1,68% na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato com vencimento em julho fechou em 1342,50 centavos de dólar por bushel. Segundo Glauco Monte, analista de gerenciamento de risco da FCStone, o aumento das margens iniciais para operar contratos na CBOT foram responsáveis por parte do movimento de liquidação de papéis dos fundos na bolsa americana.
Esse valor inicial para especuladores saiu de US$ 3,375 mil para US$ 4,388 mil por contrato. "Os fundos liquidaram alguns contratos para não precisar amanhã (hoje) depositar esse valor adicional", acrescenta Monte. Essa medida, no curto prazo, pode inibir a entrada forte dos fundos no mercado de commodities agrícolas. "Pode ter impacto pontual, mas não no longo prazo", avalia o especialista. A expectativa é de que até a divulgação do relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), no dia 31, o mercado agrícola fique com grande volatilidade.

Clientes chineses

A China, a maior importadora mundial de soja, conta com grande disponibilidade da oleaginosa para restringir o impacto das suspensões dos embarques por parte da Argentina, disseram analistas locais. O país aumentou suas importações de soja nos últimos três meses para desaquecer a inflação dos preços dos alimentos e os armazéns portuários estão "bastante bem-supridos", disse Chen Baomin, analista da Jilin Grain Group Co.

A cotação da soja saltou 12% nos últimos quatro dias na CBOT em um momento em que a Argentina, a terceira maior exportadora mundial da commodity, enfrenta um movimento que interditou as principais rodovias e acessos aos portos e armazéns para protestar contra o aumento dos impostos sobre as exportações. A Bunge Ltd., a maior processador mundial do grão, declarou "force majeure" (motivo de força maior para o não-cumprimento do contrato) sobre algumas vendas daquele país.

Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Fabiana Batista e Bloomberg News) - Agrolink