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Das chuvas à economia

Publicada em 16-05-2007


Após se recuperar de safras de crise, agricultura sofre com câmbio e insumos

Os sojicultores mal puderam respirar aliviados após duas safras de crise e já começam a ter mais dores de cabeça. A conjunção de dois fatores: câmbio e preço alto dos insumos poderá ser novamente a grande armadilha do próximo ano agrícola (2007/2008). A desvalorização de 5,25% no preço do dólar em relação ao real registrada desde o início deste ano, somada à depreciação acumulada desde o segundo semestre de 2004, resulta em perdas de 36,42% apenas em função do câmbio.

A moeda norte-americana iniciou este ano cotada a R$ 2,13, mas após uma série de baixas fechou todos os dias da última semana na casa dos R$ 2,02. Há três anos, o dólar chegou a bater a casa dos R$ 3,17 – época de ouro para a agricultura mato-grossense, quando os índices de produção de soja bateram o recorde histórico. Na safra 04/05, Mato Grosso chegou a colher 17,937 milhões de toneladas da oleaginosa.

Contudo, a depressão no câmbio a partir do segundo semestre de 2004, quando o planejamento da safra já estava fechado, fez com que no ano seguinte os agricultores entrassem em uma crise sem precedente. Em abril de 2005, quando teve início a comercialização da safra de soja daquele ano, o dólar já estava na casa dos R$ 2,50, ou seja, já tinha desvalorizado 21%.

Resultado: preço alto dos insumos (adquiridos quando o dólar passava dos R$ 3) e baixo valor de venda do grão. Na safra 05/06 os reflexos dessa combinação resultaram na queda de 11% na produção do grão, que rendeu apenas 15,877 milhões de toneladas. Na safra atual, o volume de produção teve novo corte, retroagindo a quase os mesmos números da safra 03/04 – penúltima antes da crise.

Nesta safra, os produtores de soja do Estado colheram apenas 15,274 milhões de toneladas de soja – menos 3,8% em relação ao ano agrícola anterior. Há três safras, o volume foi de 15,008 milhões de toneladas do grão. Os fatores que levaram à crise naquela época são praticamente os mesmos que podem novamente trazer problemas para os agricultores, principalmente com a tendência de baixa no preço do dólar.

O operador comercial da Produza Agronegócios Corretora de Commodities, Wilson de Souza Bezerra, destaca que hoje um dos maiores entraves para os agricultores continua sendo o câmbio. Segundo ele, a tendência é que o dólar caia abaixo dos R$ 2, apesar da atuação constante do Banco Central na tentativa de conter a valorização da moeda brasileira. O mercado vem revalando constantemente que a moeda poderá chegar a dezembro próxima cotada a R$ 1,99.


Fonte: Diário de Cuiabá