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Embrapa começa atividades na Venezuela

Publicada em 10-03-2008


A diretoria executiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) oficializa amanhã (10/3) mais um programa de cooperação técnico científica no cenário internacional.

A exemplo da Embrapa África (Acra-Gana), onde a prioridade é a transferência de tecnologia, agora é a vez de a Venezuela contar com produtos e serviços desenvolvidos pela instituição.

O diretor-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, viajou a Caracas neste final de semana e hoje pela manhã se reúne com pesquisadores e autoridades venezuelanas para oficializar o projeto para o fortalecimento agrícola da Venezuela.

A iniciativa que segue o formato do trabalho desenvolvido em Gana desde novembro de 2006 - faz parte da plataforma da política externa do governo brasileiro de apoio a países em desenvolvimento, e também da agenda internacional da Embrapa, presente nos Estados Unidos, na Europa e África.

As atividades na Venezuela - com foco na transferência de tecnologia, formação de recursos humanos e atuação com organizações voltadas para o desenvolvimento sustentável da agricultura - vão se dar a partir de um acordo com o Instituto Nacional de Investigações Agrícolas da Venezuela (INIA).

Segundo Crestana, desse projeto de cooperação técnica vão resultar benefícios para ambos os países. A Venezuela – que depende da importação de cerca de 70% dos alimentos e tem enfrentado problemas de abastecimento – a médio e longo prazos prioriza a melhoria de sua produção agrícola. Ou seja: produzir mais proteína vegetal (soja, milho e forrageiras) e, com isso, aumentar o potencial de proteína animal (carnes, ovos, leite).

Mercado promissor

Outra expectativa da diretoria executiva da instituição é de incrementar a comercialização de produtos e serviços gerados pela Embrapa e por organizações do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) – o que já ocorre com outros países do Cone Sul. Um bom exemplo é o potencial venezuelano para o cultivo de 3 milhões de hectares de cerrados, dos quais os agricultores daquele país plantam apenas 40 mil hectares.

Dados da Embrapa apontam que, se a Venezuela, nos próximos 10 anos, incorporar 1 milhão de hectares de cerrados ao processo produtivo da soja, abrirá um mercado de 1 milhão de sacas de sementes – o equivalente a um valor entre US$ 1 milhão e US$ 1,7 milhão em royalties. Na cultura do milho o mercado também é promissor, podendo gerar US$ 500 mil em royalties.

“Hoje o Brasil tem no mercado venezuelano um bom espaço, seja para o negócio agrícola ou para outros setores”, comenta Crestana ao citar o superávit de US$ 3,9 bilhões registrados em 2007.

De janeiro a dezembro do ano passado, conforme divulgou a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) as exportações brasileiras para aquele país somaram US$ 4,2 bilhões – volume 30,2% superior ao registrado em igual período de 2006. As importações de produtos da Venezuela, porém, somaram US$ 320 milhões (o que significou um decréscimo de 41,6%).

As atividades dessa cooperação incluem uma agenda com o INIA (e outras instituições de pesquisa) que estabelecerá trabalhos como: experimentos para verificar as cultivares que mais se adaptam às lavouras da Venezuela (inclusive de acordo com zoneamento agroclimático daquele país), sistema de integração lavoura-pecuária, genética animal e plantio direto.

Os profissionais da Embrapa que vão atuar em Caracas também cuidarão dos interesses mútuos quanto à propriedade intelectual e comercial.

Além do apoio do MAPA, a representação da Embrapa na Venezuela conta com apoio dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e de Relações Exteriores (MRE). “Esses dois ministérios deram início a um processo mais acirrado de exportação dos produtos agrícolas brasileiros para suprir as demandas do mercado venezuelano”, observa Silvio Crestana.

Fonte: Agrosoft Brasil