Notícias


Delegação do USDA e USAID visita Embrapa Cerrados

Publicada em 07-03-2008


A evolução das pesquisas em melhoramento da soja e o uso de estirpes de bradyrizobium para fixação biológica do nitrogênio foram apresentados na manhã desta quarta-feira (5) a uma delegação da Agência americana para o desenvolvimento internacional (USAID) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O professor Eric Stoner, diretor da USAID no Brasil, Curt Reynolds, analista de safras do USDA, Julie Morin, da USDA, e representantes da Embaixada dos Estados Unidos conheceram a Embrapa Cerrados (Planaltina - DF) e tiraram dúvidas sobre as pesquisas conduzidas na Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa.

Segundo Reynolds, que está no Brasil há duas semanas e meia fazendo uma viagem de reconhecimento, a taxa de crescimento da agropecuária brasileira nos últimos 30 anos e as tecnologias em uso no país impressionam a quem nunca havia estado no país.

O analista do USDA é responsável há dez anos pela análise de safras da África subsaariana e, desde julho de 2007, recebeu a missão de inserir o Brasil em seu trabalho.

O pesquisador Roberto Teixeira Alves, chefe-geral da Embrapa Cerrados, enfatizou aos visitantes americanos que a Embrapa está comprometida em contribuir com o aumento da produção de alimentos levando em conta a preservação do meio ambiente. Para comprovar a tese de que é possível dobrar a produção brasileira de grãos sem expandir a fronteira agrícola, Alves explicou os ganhos de produtividade obtidos com a integração lavoura pecuária.

A contribuição da Embrapa Cerrados nas pesquisas de melhoramento da soja foi abordada pelo pesquisador Austeclínio Lopes de Farias Neto. A produção de soja no Cerrado representa 63,5% da produção nacional. Os rendimentos da produção têm aumentado, em média, 1,5% ao ano graças aos ganhos incorporados pelo melhoramento genético e às tecnologias desenvolvidas para reduzir custos e facilitar o manejo das lavouras.

Cultivar resistente à ferrugem asiática

O pesquisador salientou que a equipe de pesquisa com soja da Embrapa Cerrados e parceiros estão próximos de lançar uma cultivar resistente à ferrugem asiática. A expectativa é lançar o material ainda neste ano. Os custos com o controle químico da ferrugem asiática somados a perda de 2,67 milhões de toneladas de grãos causados pela doença geraram um prejuízo de US$2,57 bilhões na safra 2006/07.

Segundo Austeclínio, mesmo com condições favoráveis à ferrugem asiática, a produtividade média por hectare, em 2006/07, foi de 2,8 toneladas. "Conclui-se que os produtores sabem controlar a doença", comenta. A primeira cultivar brasileira de soja resistente à ferrugem asiática irá contribuir para reduzir as aplicações de fungicida. A média atual é de 2,3 aplicações. A cultivar a ser lançada requer apenas uma.

A visita da delegação americana à Embrapa Cerrados foi encerrada no laboratório de microbiologia do solo. Os pesquisadores Ieda Mendes e Fabio Bueno Reis explicaram a evolução dos estudos com as estirpes para fixação biológica do nitrogênio desde a 29 W e Semia 587, primeiros inoculantes, lançados em 1980.

O lançamento dos inoculantes CPAC-7 e CPAC-15, em 1993, responsáveis por um aumento de produtividade de 7%, e a importância da reinoculação da soja também foram explicados pelos pesquisadores. A fixação biológica de nitrogênio gera uma economia anual estimada em US$6,9 bilhões aos produtores de soja do país.

Fonte: Embrapa / Cosmo Online